A campanha do senador Cleitinho (PP) anunciou oficialmente que não continuará apoiando a candidatura do ex-secretário de Estado Marcelo Aro ao Senado Federal. Apesar de não haver uma ruptura formal, uma vez que nunca existiu uma aliança consolidada entre a Federação União Progressista e o sigla Republicanos, a decisão de afastar Aro indica uma mudança de estratégia na disputa. O anúncio foi feito na manhã desta terça-feira, 18 de agosto, pelo candidato a vice-governador na chapa de Cleitinho, Luís Eduardo Falcão, do Republicanos, em entrevista exclusiva à Itatiaia.
Segundo Falcão, a campanha adotou uma postura de distância regulamentar em relação a Marcelo Aro, visando evitar questionamentos jurídicos e possíveis desentendimentos internos, sobretudo entre familiares e aliados do senador. Muitos desses apoiadores não concordam com o que chamam de “carona” de Aro na popularidade de Cleitinho, o que poderia gerar desagregação na base de apoio ao candidato.
Na entrevista, Falcão explicou que o Republicanos está em coligação com o Podemos, partido ao qual Aro também está ligado, porém ambos não possuem candidatos ao Senado. Ele destacou que Cleitinho mantém boas relações com todos os concorrentes à vaga, incluindo Marília Campos (PT), Domingos Sávio (PL) e Carlos Viana (PSD). A postura de manter um relacionamento diplomático com todos os postulantes visa, sobretudo, evitar conflitos jurídicos e políticos, além de preservar a unidade da campanha.
A decisão de afastar Marcelo Aro também tem raízes em fatores políticos e familiares. Pessoas próximas ao senador responsabilizam Aro pelas dificuldades enfrentadas por Cleitinho na sua própria legenda, especialmente na semana anterior ao prazo final para o registro de candidaturas. Essas dificuldades teriam dificultado a viabilização do nome de Cleitinho no pleito, contribuindo para a sua decisão de se distanciar do ex-secretário.
Além do contexto político, a campanha de Cleitinho busca se desvincular de episódios envolvendo aliados próximos de Marcelo Aro, como Rubem Soalheiro, diretor da Cemig SIM. Soalheiro foi demitido em 13 de agosto após denúncia de representação apresentada pelo deputado federal Rogério Correia (PT) à Procuradoria-Geral da República, referente a suspeitas relacionadas à sua atuação na estatal. A controvérsia envolve também auditorias em andamento na Cemig SIM — uma interna e outra externa — que investigam a contratação da Green Investimentos, empresa de geração de energia fotovoltaica presidida por Felipe Cançado Vorcaro, primo e operador de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Essas investigações estão em curso e devem ser concluídas nas próximas semanas, tendo relação com investigações da Polícia Federal na Operação Compliance Zero.
Durante debate realizado pela Band Minas, Cleitinho foi questionado pelo candidato Gabriel Azevedo (MDB) sobre possíveis apoios a Marcelo Aro. Falcão afirmou que Cleitinho não possui qualquer ligação com as questões envolvendo a Cemig SIM ou com as investigações em andamento. Segundo ele, os problemas levantados ocorreram durante o atual governo de Romeu Zema e Mateus Simões, e quem deve responder por eles é o atual governo, não o senador Cleitinho ou sua campanha. Assim, a estratégia de afastamento de Marcelo Aro reflete uma tentativa de manter a campanha focada em sua própria trajetória e evitar associações que possam prejudicar sua candidatura ao Senado.









