Após o encerramento da primeira fase do processo eleitoral, as campanhas presidenciais de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL) iniciaram uma fase de ajustes estratégicos visando consolidar suas posições rumo ao segundo turno. Lula, que ficou em segundo lugar na disputa, busca ampliar sua base de apoio, especialmente entre o eleitorado jovem e aqueles que não votaram na primeira rodada, enquanto Flávio Bolsonaro reforça alianças com candidatos derrotados e partidos do centro, buscando manter a liderança e ampliar sua influência política.
Nos primeiros dias após o primeiro turno, Lula tem direcionado esforços para estabelecer uma nova rota na campanha, com foco na interação com a ala jovem da esquerda. Uma das ações previstas é uma reunião nesta quarta-feira, 7 de novembro, em Brasília, com deputados eleitos que possuem influência no ambiente digital. Entre os nomes confirmados estão Ana Elisa e Pedro Rousseff, ambos do PT, eleitos para a Câmara Federal em Minas Gerais, além de Erika Hilton e Sâmia Bomfim, do PSOL, de São Paulo. O grupo soma mais de 2,8 milhões de votos e representa uma tentativa de fortalecer o discurso entre os eleitores mais jovens e ativos nas redes sociais.
Por outro lado, Flávio Bolsonaro, que lidera as intenções de voto, tem se beneficiado do apoio de candidatos derrotados no primeiro turno, como Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), além do respaldo de partidos do centro, como a federação PP e União Brasil. Essa estratégia de fidelização de apoios visa consolidar uma base mais ampla, incluindo setores tradicionais do centro político, fortalecendo a sua posição para o segundo turno.
A campanha de Lula também reconhece a necessidade de revisar sua comunicação, após perceber que sua primeira fase de disparos de conteúdo teve maior alcance entre eleitores que já apoiaram o candidato no primeiro turno. Como parte dessa revisão, a equipe busca intensificar ações para alcançar os aproximadamente 33 milhões de eleitores que não votaram na primeira rodada, além de tentar “furar a bolha” do eleitorado petista, que já demonstra apoio ao ex-presidente. Entre as estratégias adotadas está a mobilização da militância por meio de peças de campanha enviadas a grupos de WhatsApp ligados à esquerda, embora haja avaliação de que esses esforços ainda não tenham atingido efetivamente os indecisos ou eleitores de outros espectros políticos.
Outra frente de atuação de Lula é a região da Bahia, o quarto maior colégio eleitoral do país, onde houve uma redução de aproximadamente 208 mil votos em comparação com a última eleição. O ex-presidente e sua equipe planejam ações específicas para reverter essa tendência, considerando o peso estratégico do estado na composição do resultado final.
Na campanha de Flávio Bolsonaro, o otimismo predomina. Aliados do senador avaliam que o ambiente está mais favorável nesta fase do que no primeiro turno, apoiando-se na consolidação de apoios de candidatos derrotados, como Ronaldo Caiado e Romeu Zema, além de fortalecer alianças com partidos do centro, como PP e União Brasil. Essas alianças também preveem a indicação do futuro Ministro da Agricultura, caso a chapa seja vitoriosa.
A estratégia de Flávio inclui a manutenção de uma estrutura de campanha semelhante à do primeiro turno, com ações digitais e apoio de deputados e senadores eleitos a nível estadual. Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, a expectativa é de que políticos da direita participem de agendas externas em apoio ao candidato, incluindo uma provável reunião na capital paulista ainda neste domingo, cujo formato e detalhes ainda estão em definição.
Com o segundo turno se aproximando, as campanhas de ambos os candidatos ajustam suas estratégias, buscando consolidar suas bases e ampliar seu alcance, em um cenário de acirramento político e disputa acentuada por votos que definirão o próximo presidente do Brasil.









