Durante sabatina realizada pela TV Globo, o candidato do MDB ao Governo de Minas Gerais, Gabriel Azevedo, manifestou apoio à reinstituição da reprovação de estudantes que não atingirem a média exigida, criticando a política atual de progressão parcial adotada pela Secretaria de Estado de Educação. Essa política permite que alunos avancem de série mesmo tendo sido reprovados em alguma disciplina, uma prática que o candidato considera prejudicial ao aprendizado efetivo dos estudantes.
Gabriel Azevedo argumentou que a reprovação escolar é fundamental para garantir uma educação mais rigorosa e de qualidade, citando como exemplo a experiência da Escola Plural, programa implementado na rede municipal de Belo Horizonte na gestão do então prefeito Patrus Ananias, hoje candidato do PT ao governo de Minas Gerais. Segundo o candidato, a Escola Plural, que foi criada em 1995, promoveu uma reorganização do ensino fundamental em ciclos de formação, eliminando a reprovação seriada e adotando uma avaliação contínua centrada no desenvolvimento do estudante ao longo de cada ciclo.
Azevedo afirmou que, na sua visão, a política de reprovação e retenção, embora controversa, poderia evitar situações como a que, na sua avaliação, ocorreu na gestão de Patrus Ananias. Ele citou um episódio que, segundo suas palavras, demonstra os perigos da política de progressão parcial: “Sabe qual foi a tragédia que já existiu em Belo Horizonte quando o Patrus Ananias era prefeito? A Escola Plural. Como é que funcionava? Deixa aí passando. Aí chega lá no final: tu sabe ler? Não sabe ler. Sabe escrever? Não sabe escrever. Toma um diploma que não serve pra nada”, afirmou, reforçando sua crítica à política de avanço de série sem a devida aprendizagem.
Na ocasião, Gabriel Azevedo também destacou seu compromisso de atuar como “o governador da aprendizagem”, defendendo um acompanhamento anual do desempenho escolar e reforço contínuo para estudantes com dificuldades ao longo do semestre. Ele afirmou que sua gestão buscaria uma educação mais efetiva e menos baseada em “ensino do faz de conta”. Quando questionado sobre a compatibilidade de sua proposta com as metas do novo Plano Nacional de Educação (PNE), que prevê a conclusão de 90% do ensino médio na idade certa até 2036, o candidato declarou que sua prioridade é garantir o aprendizado real, sem abrir mão de metas nacionais de cobertura e conclusão.
A trajetória de Gabriel Azevedo inclui formação em Direito, Publicidade e Propaganda e Jornalismo, além de experiência como professor. Aos 40 anos, ele nasceu em Belo Horizonte e foi vereador da capital por dois mandatos, tendo presidido a Câmara Municipal entre 2023 e 2024. Sua candidatura ao governo de Minas é apoiada pelo MDB, com Maria Helena Lopes como vice na chapa.
A sabatina, que teve duração de aproximadamente 30 minutos, foi transmitida ao vivo pelo telejornal MG1 e faz parte da cobertura eleitoral do portal G1 e do Globoplay, com a íntegra disponível para consulta. A entrevista reforça o posicionamento de Azevedo na disputa pelo cargo máximo do Estado, especialmente por sua proposta de mudanças no sistema de avaliação e reprovação escolar, que contrasta com as políticas atuais adotadas pelo governo estadual.







