O candidato Túlio Lopes, representante do Partido Comunista Brasil (PCB) na disputa pelo governo de Minas Gerais, defendeu nesta quarta-feira (18) a suspensão imediata dos incentivos fiscais concedidos pelo estado. Segundo ele, a medida é essencial para que o governo possa realizar reajustes salariais considerados insuficientes pelos servidores públicos, que enfrentam uma defasagem salarial acumulada ao longo dos anos. A declaração foi feita durante entrevista na série de sabatinas promovida pela Itatiaia, na qual os postulantes ao cargo máximo do executivo estadual apresentaram suas propostas e posicionamentos.
Túlio Lopes destacou que uma das principais dificuldades enfrentadas pelo estado é a dívida de aproximadamente R$ 180 bilhões junto à União, considerada por ele um obstáculo central para a valorização do funcionalismo e a melhoria dos serviços públicos. O candidato afirmou que é necessário enfrentar esse débito por meio de uma auditoria que avalie a origem e a composição da dívida, uma vez que, na sua avaliação, houve uma negociação desfavorável entre os governos federal e estadual, classificada por ele como “muito ruim”. Lopes argumenta que essa situação limita a capacidade do estado de investir na valorização dos seus servidores e na manutenção de serviços essenciais à população.
Durante a entrevista, Túlio Lopes reforçou a importância de romper com a política de renúncias fiscais, prática na qual o governo concede incentivos econômicos às empresas, muitas vezes sem critérios claros de retorno social ou financeiro. Para ele, essa política tem contribuído para a restrição de recursos que poderiam ser destinados ao pagamento de salários e à ampliação de direitos dos servidores públicos. O candidato defende que, ao acabar com esses incentivos, o estado poderá garantir reajustes salariais e promover uma política de recomposição das perdas históricas dos profissionais que atuam na administração pública.
Além das questões fiscais, Túlio Lopes destacou que o funcionalismo estadual tem sofrido com a política salarial adotada pelos governos passados, além de enfrentar tentativas de privatizações de setores estratégicos. Como professor da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) e presidente licenciado da Associação dos Docentes da UEMG (Aduemg), Lopes apontou que, na sua instituição, há uma perda semanal de professores que deixam a universidade em busca de melhores condições em outras instituições. Ele relaciona essa desvalorização dos profissionais ao aumento dos índices de violência, à destruição ambiental e ao enfraquecimento do sistema de saúde pública, especialmente da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig).
O candidato afirmou que esses problemas não são exclusivos do atual governo de Romeu Zema (Novo), mas representam uma continuidade de gestões anteriores, incluindo os governos do PSDB e de Fernando Pimentel (PT). Segundo ele, durante a gestão Pimentel, houve uma política salarial de reajuste zero, o que contribuiu para o agravamento da situação dos servidores públicos. Lopes argumenta que a questão salarial, aliada às políticas de privatização e ao fortalecimento de setores privados, é a principal pauta de sua candidatura, com foco na necessidade de debater e planejar estratégias para a recuperação dos direitos do funcionalismo e a melhoria dos serviços públicos em Minas Gerais.
Ao finalizar, Túlio Lopes reforçou a importância de uma discussão estratégica sobre a dívida do estado, os serviços públicos e a valorização dos servidores, defendendo uma postura mais firme frente às políticas fiscais que, na sua avaliação, têm prejudicado o funcionamento do estado e o bem-estar da população mineira.








