O número de brasileiros que ligam a pobreza à falta de vontade de trabalhar quase dobrou nos últimos quatro anos, atingindo 40% em 2026, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (3). O levantamento aponta que a parcela era de 22% em 2022.
No mesmo período, a associação da pobreza à falta de oportunidades iguais para a população, embora continue predominante, registrou queda significativa de 76% para 58%. Outros 3% dos entrevistados não souberam responder ao questionamento.
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O Datafolha entrevistou 2.004 eleitores de 16 anos ou mais, nos dias 17 e 18 de junho, em cerca de 139 municípios do país. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%.
A pergunta sobre a percepção da pobreza faz parte da matriz ideológica de pesquisa do Datafolha, que analisa temas como criminalidade, pena de morte, posse de armas, punição de adolescentes que cometem atos infracionais, migração de pessoas pobres e homossexualidade.
A série histórica dos levantamentos do Datafolha revela que o salto na percepção da pobreza nos últimos quatro anos foi uma das mudanças mais expressivas da matriz ideológica.
A análise por faixa etária na pesquisa do Datafolha destaca diferenças. Entre os idosos, de 60 anos ou mais, a opinião é considerada um empate técnico, devido à margem de erro, com 49% associando a pobreza à preguiça e 48% à falta de oportunidades. Já entre os jovens, de 16 a 24 anos, 22% citam a preguiça como causa e 74% a falta de oportunidades.
Diferenças significativas também foram observadas no eleitorado presidencial no primeiro turno estimulado. Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro (PL), 52% associam a pobreza à preguiça e 44% à falta de oportunidades. Para os eleitores de Lula (PT), esses percentuais são de 28% e 70%, respectivamente.
A ocupação profissional dos entrevistados também foi um fator analisado. Entre os que associam a pobreza à preguiça, 56% são empresários e 28% são funcionários públicos. O percentual de empresários é o maior entre todas as ocupações pesquisadas.
Brasileiros com renda familiar mensal superior a dez salários mínimos acreditam, majoritariamente, que a pobreza está ligada à falta de oportunidades, com 63% de adesão a essa visão. Por outro lado, entre a população que recebe de dois a cinco salários mínimos, 55% acreditam na falta de oportunidades e 43% no oposto.
Enquanto isso, 40% das pessoas que recebem até dois salários mínimos acreditam na alternativa da preguiça e 58% no contrário, o mesmo percentual do total da pesquisa.
O Datafolha classifica o posicionamento ideológico dos entrevistados (entre esquerda, centro-esquerda, centro, centro-direita e direita) com base em perguntas sobre valores sociais, políticos, culturais e econômicos. Isso inclui a questão sobre a associação da pobreza à preguiça, cruzando os resultados de duas frentes: a “Escala de comportamento e pensamento econômico” e a “Escala de comportamento”, atribuindo peso 1 a cada questão e somando pontos específicos.
Com a pontuação somada, o posicionamento ideológico de quem acredita que “boa parte da pobreza está ligada à preguiça de pessoas que não querem trabalhar” é, principalmente, da direita.
Sob supervisão de AR.





