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Home Politica

Empresária afirma ter ‘sociedade’ com filho de Lula e o chamava de ‘irmão’ em mensagens obtidas pela Polícia Federal

22/08/2026
Em Politica
Tempo de leitura:3 minutos de leitura
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Uma empresária e lobista identificada como Roberta Luchsinger declarou manter uma relação de “sociedade” com Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo mensagens apreendidas pela Polícia Federal (PF) durante investigações, ela referia-se ao jovem como um “irmão”, embora também expressasse preocupações sobre sua atuação pontual e a necessidade de que ele “se preservasse”. Ambos são investigados por suspeitas de tráfico de influência e corrupção relacionadas a negociações com órgãos do governo federal.

As mensagens, que foram encontradas no celular de Roberta, foram divulgadas pela revista Veja e confirmadas pela CNN. De acordo com o conteúdo, Lulinha teria sido visto por ela como alguém com “aparente autorização” para agir em nome dele, tendo seu envolvimento relacionado às finanças do jovem. Em uma troca de mensagens, o próprio filho do presidente afirmou que a lobista cuidava de suas questões financeiras, reforçando a percepção de proximidade e confiança entre eles.

A relação entre Roberta e outros empresários também foi destacada nas investigações. Em conversas com Gustavo Gaspar, ela mencionou que, junto com Lulinha e Fernando Bittar, formavam uma espécie de “uma coisa só”. Os três mantinham uma relação de sociedade informal voltada a interesses econômicos comuns. Essa conexão foi confirmada por mensagens em um grupo no WhatsApp, intitulado “Musaranhos”, no qual discutiam negociações de projetos junto ao governo federal. Na troca de mensagens, a própria lobista referiu-se aos sócios como “musos”, indicando uma relação de parceria estreita.

Em um diálogo de janeiro de 2024, Roberta afirmou que ela, Lulinha e Bittar eram como “irmãos”, reforçando a ideia de uma aliança informal. Ela também destacou que Fábio não atuava de forma constante, entrando em campo apenas quando necessário, e que ela mesma buscava se preservar na atuação. Para a Polícia Federal, esses dados indicam que o filho do presidente era uma “referência decisória” nos projetos discutidos por terceiros, sendo considerado um “beneficiário indireto” das articulações conduzidas em seu nome.

Além disso, Roberta revelou ter uma proximidade com o presidente Lula, alegando que ele a questionou sobre seu desejo de ocupar uma função no governo. Ela afirmou que preferia manter sua atuação de “sociedade” com Lulinha e Fernando Bittar, sem ocupar cargos públicos. Segundo ela, Lula teria perguntado: “Escolhe onde você quer ficar?”, ao que ela respondeu que permanecia na mesma posição de sempre, atuando na sociedade com os dois empresários.

As conversas apreendidas pela PF foram enviadas ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator de dois dos três inquéritos que investigam Lulinha. As investigações apuram suspeitas de atuação para influenciar contratos do Ministério da Saúde ligados à cannabis medicinal, em benefício de uma empresa de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Além disso, há um inquérito que investiga supostos favorecimentos a uma empresa de tecnologia junto à Dataprev, órgão do governo federal, também sob relatoria de Mendonça.

Um terceiro inquérito, com o ministro Flávio Dino, também do STF, investiga a atuação de um grupo de pessoas para beneficiar empresas junto ao governo federal. A expectativa é que os procedimentos só sejam concluídos após as eleições, uma vez que a Polícia Federal ainda realiza perícias técnicas e analisa os dados obtidos.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) informou que, até o momento, as investigações não identificaram negócios concretos envolvendo o governo federal. A PGR também ressaltou que não há participação de autoridades com prerrogativa de foro, solicitando o encaminhamento dos processos à primeira instância. No entanto, a tendência, conforme apurado pela CNN, é que os inquéritos permaneçam sob a relatoria de André Mendonça e Flávio Dino no STF, devido à complexidade e ao grau de envolvimento dos investigados.

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