O brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Júnior, ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB) durante o governo de Jair Bolsonaro, rebateu neste sábado (29/8) uma declaração feita pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) durante entrevista ao Jornal Nacional, na qual o parlamentar desqualificou seu depoimento sobre uma tentativa de golpe de Estado no Brasil. Flávio Bolsonaro afirmou que os relatos do militar não tinham grande gravidade, pois partiam de uma pessoa que, atualmente, estaria apoiando a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva, além de acusar Baptista Júnior de parcialidade em relação ao ex-presidente Bolsonaro.
Baptista Júnior classificou a afirmação de Flávio como uma “leviandade”, destacando que a alegação de que ele estaria fazendo campanha para Lula é uma tentativa de desviar o foco da questão central levantada na entrevista. O ex-comandante afirmou que desconhece a origem dessa acusação e ressaltou que seu livro, intitulado “Eu Disse Não! Uma trincheira antigolpista”, e seu depoimento na Ação Penal 2668, no Supremo Tribunal Federal (STF), não têm relação com o senador ou sua campanha. Ele sugeriu que, antes de fazer qualquer julgamento, o público deveria aguardar o lançamento do livro, previsto para chegar às livrarias em cerca de dez dias, para compreender melhor seu posicionamento.
Na rede social X (antigo Twitter), o senador Rogério Marinho (PL-RN), integrante da campanha de Flávio Bolsonaro, publicou um trecho da fala do candidato do PL ao Jornal Nacional, defendendo que o depoimento de Baptista Júnior não deve ser considerado uma verdade absoluta contra Bolsonaro. Em resposta, Baptista Júnior criticou a postura de Marinho, recomendando que ele não incorpore um espírito agressivo, citando o ex-técnico de futebol Zagallo e o ex-presidente Fernando Collor de Mello, em referência a episódios históricos de conflito político.
O ex-comandante da FAB foi testemunha na investigação liderada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) que resultou na condenação de Jair Bolsonaro e outros integrantes do chamado núcleo central da tentativa de golpe de Estado. Em depoimento ao STF realizado em maio de 2025, Baptista Júnior confirmou que o então comandante do Exército, general Freire Gomes, teria dito que prenderia Bolsonaro caso ele avançasse com um plano golpista. Segundo Baptista, o general afirmou de forma polida, sem agressividade, que “se o senhor fizer isso, terei que te prender”.
Além de sua atuação na PGR, Baptista Júnior prepara o lançamento de um livro em setembro, no qual detalha sua resistência às pressões militares para aderir a um golpe de Estado. O livro, intitulado “Eu Disse Não! Uma trincheira antigolpista”, traz relatos do militar sobre sua postura contrária à ruptura institucional, demonstrando sua posição de resistência às tentativas de golpe durante o período de instabilidade política no Brasil.









