Em um movimento sem precedentes nas eleições de Minas Gerais, um racha interno na coligação que apoia o governador Mateus Simões (PSD) resultou na candidatura avulsa de Marcelo Aro (PP) ao Senado Federal. Apesar de o PSD e a federação formada por União Brasil e Partido Progressista (PP) estarem formalmente coligados na disputa, as legendas decidiram lançar candidatos separados ao Senado, marcando uma novidade no cenário político estadual.
A ruptura ocorreu após a filiação do ex-secretário de Romeu Zema, Marcelo Aro, ao Partido Progressista, e sua aproximação com Viana, que ingressou recentemente no PSD para disputar uma vaga ao Senado. Essa movimentação gerou descontentamento dentro do PSD, levando as lideranças a optarem por não incluir os senadores da legenda na chapa majoritária. Assim, a configuração oficial da coligação ficou definida com Mateus Simões (PSD) para governador, Danillo de Castro (União Brasil) como vice e Marco Antônio Superman (Novo) para o Senado. Em contrapartida, as candidaturas de Viana e Aro serão apresentadas de forma independente, cada uma com seus próprios recursos de campanha e tempo de televisão, sem uma agenda conjunta entre as legendas.
O histórico do conflito revela que a crise se intensificou após a filiação de Viana ao PSD. Marcelo Aro, que foi deputado federal e tinha uma atuação consolidada na política mineira, interpretou a movimentação de Viana como uma ameaça à unidade da federação e à sua própria participação na chapa. Aro passou a articular com outros partidos na tentativa de levar sua candidatura e a federação partidária para uma aliança alternativa, o que o colocou em rota de colisão com a direção do PP e do PSD.
Na prática, Aro chegou a ser cotado para integrar a chapa ao Senado na candidatura de Cleitinho, do Republicanos, além de ser considerado possível candidato ao Governo de Minas na mesma chapa. Contudo, essas articulações não evoluíram como esperado, e ele acabou sendo considerado um traidor por Mateus Simões, que acusou o ex-secretário de querer abandonar a coligação com o PSD. Simões também afirmou que Aro usou a candidatura de Viana como justificativa para sua tentativa de se desligar da aliança, além de alegar que Aro teria feito sinais cruzados e pressão com o objetivo de liderar uma chapa própria.
O episódio resultou no isolamento de Marcelo Aro dentro do partido, embora ele não tenha sido abandonado por completo. A legenda decidiu, então, seguir com uma candidatura avulsa ao Senado, deixando claro que cada partido manterá sua estratégia de campanha de forma independente. A situação evidencia as tensões internas e as dificuldades de manter uma coligação coesa em um cenário eleitoral marcado por interesses diversos e disputas de poder, além de refletir as complexidades do processo de alianças na política mineira, que agora se desenha com candidaturas separadas mesmo entre partidos que formalmente estão em uma mesma federação.






