O ex-vereador e pré-candidato ao governo de Minas Gerais, Gabriel Azevedo, do MDB, apresentou na última quarta-feira (15) a “versão 1.5” de seu plano de governo, que visa descentralizar a administração estadual. Azevedo destacou que o documento ainda está em fase de elaboração e passará por revisões até a convenção partidária marcada para o próximo mês.
Em entrevista à rádio Itatiaia, o pré-candidato enfatizou que a proposta central do seu plano consiste na criação de “governos regionais”. A ideia é aproximar o governo estadual dos 853 municípios mineiros, sem aumentar a estrutura da máquina pública. Para isso, Azevedo sugere o remanejamento de 1,5% dos cargos comissionados já existentes, com a justificativa de que o governador não pode atuar isoladamente. “Não dá para acompanhar os prazos, as obras e as deficiências no local o tempo inteiro”, afirmou.
O economista Marcos Lisboa, que coordena o plano, ressaltou que a proposta busca garantir uma “escuta ativa” das demandas específicas de cada município, permitindo que o governo possa responder de forma mais eficaz às necessidades locais. O plano também reconhece a gravidade da situação fiscal de Minas e condiciona a expansão de serviços a um controle rigoroso dos gastos públicos. Uma das medidas propostas é a criação de uma agência independente que avalie políticas públicas, composta por diretores técnicos com mandatos fixos. Lisboa destacou a importância de um uso responsável do dinheiro público, afirmando que não se pode criar novos programas sem considerar a crise fiscal que o estado enfrenta.
Azevedo também abordou a necessidade de retomar a agenda ferroviária, considerando-a um eixo essencial para a redução dos custos logísticos e a preservação das rodovias. Ele sugeriu a captação de recursos federais de compensação mineral para agilizar projetos ferroviários que atualmente enfrentam entraves burocráticos entre diversas agências. “Ferrovia não fica pronta em quatro anos, mas ela precisa começar. Com a integração dos recursos que estão disponíveis, que estão no Governo Federal”, declarou.
Em relação à formação de alianças para a candidatura, o MDB ainda não possui composições formalizadas e não descarta a possibilidade de um palanque “puro-sangue”. Azevedo informou que o partido está em diálogo com diferentes siglas, mas a concretização de parcerias dependerá da adesão às propostas apresentadas.
A proposta de descentralização da gestão em Minas Gerais é um reflexo das crescentes demandas por uma administração pública mais próxima da população, em um contexto onde a eficiência e a responsabilidade fiscal se tornam cada vez mais urgentes. O desafio de equilibrar a necessidade de serviços públicos com a realidade fiscal do estado será um dos principais pontos de discussão na campanha eleitoral que se aproxima.







