O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), enfrenta dificuldades para se firmar como um candidato viável entre os principais grupos da direita, especialmente no que diz respeito às forças de segurança. Desde que assumiu o cargo após a renúncia de Romeu Zema (Novo) em março, Simões tem tentado se aproximar desse setor, mas suas propostas têm encontrado obstáculos significativos.
Um dos primeiros gestos do governador em direção às forças de segurança ocorreu em 21 de abril, durante a celebração do Dia de Tiradentes em Ouro Preto. Na ocasião, ele anunciou a reativação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 40/2024, que prevê o reajuste salarial anual para os servidores da segurança pública. No entanto, a proposta ainda enfrenta impasses na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e não deve ser votada antes das eleições de outubro. A questão salarial é uma das principais fontes de insatisfação entre os servidores da segurança, que reivindicam uma recomposição de seus vencimentos em cerca de 70%.
Recentemente, uma nova polêmica surgiu em torno da expansão do Colégio Tiradentes, uma rede de instituições de ensino básico gerida pela Polícia Militar. Durante suas visitas ao interior do estado, Simões anunciou a abertura de 19 novas unidades. Contudo, em audiência na ALMG na última segunda-feira (22), a superintendente de Organização Escolar e Informações Educacionais, Simone Aparecida Emerick, esclareceu que os anúncios ainda estão em fase de avaliação, gerando frustração entre as forças de segurança.
O Colégio Tiradentes é voltado para dependentes de militares e segue diretrizes específicas relacionadas ao ensino militar. A incerteza em torno da expansão das unidades trouxe à tona descontentamentos na relação entre o governador e as forças de segurança. O subtenente Heder, diretor jurídico da Associação dos Praças, Policiais e Bombeiros Militares (Aspra PM/BM), expressou preocupação com a falta de clareza sobre a expansão, lembrando que a proposta havia sido descartada no início do ano devido à alegação de falta de recursos financeiros.
Heder criticou a postura do governador, afirmando que os anúncios recentes parecem ter um caráter político e eleitoral, desconsiderando a realidade orçamentária do estado. O deputado estadual Cristiano Caporezzo (PL), que representa os servidores da segurança, também se manifestou sobre a situação, acusando Simões de desinteresse pela segurança pública e ressaltando que a incerteza em relação aos novos colégios Tiradentes reforça a ideia de que existem políticos que flertam com o que ele chamou de “estelionato eleitoral”.
Em resposta às críticas, o Governo de Minas emitiu uma nota afirmando que a expansão dos Colégios Tiradentes será efetivada conforme anunciado e que as negociações com as comunidades escolares continuam. O governo reafirmou que está comprometido com a transformação de unidades de escolas estaduais no modelo de gestão militar, mas ressaltou que eventuais adequações poderão ser feitas após análises mais detalhadas.
A situação atual revela um cenário desafiador para Mateus Simões, que busca consolidar sua posição política em um ambiente marcado por tensões e expectativas das forças de segurança, fundamentais para sua base de apoio.








