O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se prepara para uma semana crucial nas negociações de tarifas com os Estados Unidos. Até esta quarta-feira, 15 de julho, os EUA devem decidir se aplicarão uma taxa de 25% sobre produtos brasileiros, com base na investigação da “seção 301”.
Fontes do Palácio do Planalto indicam que representantes brasileiros planejam uma reunião final com Jamieson Greer, chefe do USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos), antes da data limite. Este encontro faz parte de um grupo de trabalho estabelecido entre os dois países e será a quinta vez que Greer se reunirá com autoridades brasileiras.
Na última sexta-feira, 10 de julho, Lula convocou seus ministros para discutir a estratégia do Brasil nas negociações. Durante a reunião, os ministros apresentaram a situação atual, onde a probabilidade mais alta é que os Estados Unidos decidam pela aplicação da taxa de 25% na data estipulada.
A avaliação do governo brasileiro é marcada por sinais negativos nas reuniões anteriores com os EUA, além do histórico da administração de Donald Trump e declarações recentes de Greer, que mencionou a distância ainda existente nas negociações. “Tenho conversado com os brasileiros. Temos tentado negociar. Acredito que ainda há uma grande distância entre nós; portanto, vocês verão uma decisão final sobre o Brasil muito em breve, pois temos um prazo legal que se encerra em 15 de julho”, declarou Greer em entrevista na última quinta-feira.
Lula optou por continuar a estratégia de manter as negociações em um nível técnico, evitando concessões que o governo considera inadequadas. Isso implica que temas sensíveis para os Estados Unidos, como tarifas sobre o etanol, permanecerão fora da discussão.
Na reunião, participaram os ministros Márcio Elias Rosa, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, e Mauro Vieira, das Relações Exteriores, que são os principais representantes brasileiros no grupo de trabalho de negociação.
O cenário mais provável, segundo as análises do Planalto, é a implementação das tarifas, embora a possibilidade de um adiamento por parte dos EUA não esteja totalmente descartada. Tal adiamento poderia ser uma estratégia para proporcionar uma vitória política ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que atuou na audiência sobre as tarifas nesta semana. No entanto, essa hipótese é considerada remota.
Uma das principais estratégias do Brasil para evitar as tarifas foi apresentar um plano com medidas que poderiam ser adotadas para atender às preocupações dos EUA em relação aos seis eixos da investigação da “seção 301”, que abrange questões desde corrupção até controle do desmatamento. O governo brasileiro, entretanto, reafirmou que o sistema de pagamentos instantâneos conhecido como Pix é inegociável e não foi incluído no documento apresentado.
Parte das medidas sugeridas pelo Brasil consiste em propostas que estão em tramitação no Congresso Nacional ou em iniciativas formuladas internamente no Palácio do Planalto. Em reuniões anteriores, o foco foi a discussão de tarifas, onde o Brasil sinalizou aos norte-americanos a possibilidade de reduzir taxas a diversos países em cerca de 300 linhas tarifárias.
De acordo com as diretrizes da Organização Mundial do Comércio (OMC), o Brasil não pode reduzir tarifas apenas para um único país, o que impossibilita uma concessão exclusiva aos Estados Unidos. A solução encontrada foi a sugestão de redução de tarifas a vários países em setores onde os EUA teriam condições de competir, sem prejudicar a indústria nacional.






