Duas investigações de grande repercussão, que envolvem os filhos de dois dos principais candidatos à presidência em 2026, colocaram a Polícia Federal e o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), no centro do debate político. Essas apurações têm potencial para impactar significativamente a disputa eleitoral, especialmente à medida que avançam os desdobramentos e a exposição pública dos casos.
O ministro André Mendonça, relator de investigações relacionadas ao financiamento do filme “Dark Horse”, uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, também está à frente de um inquérito envolvendo suspeitas de tráfico de influência por parte de Fábio Luís da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Este último está sob análise em três inquéritos autorizados pelo STF a pedido da Polícia Federal, que buscam esclarecer possíveis irregularidades envolvendo seu nome.
A investigação sobre Lulinha, que é alvo de três inquéritos, tem gerado apreensão no Palácio do Planalto, embora interlocutores ainda não possam avaliar plenamente o impacto dessas apurações na campanha de Lula. A proximidade do período eleitoral intensifica as especulações sobre possíveis efeitos nas intenções de voto, especialmente considerando a recente pesquisa Datafolha divulgada em 21 de agosto. O levantamento apontou Lula com 47% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro, que obteve 43%. Na pesquisa anterior, de 24 de julho, Lula tinha 48%, enquanto Flávio marcava 43%, indicando uma oscilação dentro da margem de erro, o que torna difícil estabelecer uma relação direta entre as investigações e as variações nas intenções de voto.
No âmbito político, Lula tem buscado atuar de forma a minimizar os efeitos dos casos envolvendo seus filhos. Nesta semana, o presidente se reuniu em Brasília com Marco Aurélio Carvalho, advogado de Lulinha, para discutir o vazamento de mensagens sigilosas da Polícia Federal trocadas entre seu filho e a empresária lobista Roberta Luchsinger. O pedido de investigação sobre esses vazamentos foi aceito por Mendonça, que determinou que a PF apure suspeitas de novos vazamentos de dados relacionados ao caso.
Especialistas em ciência política avaliam que as campanhas de Lula e de Bolsonaro tendem a explorar ao máximo esses temas como estratégias de ataque mútuo. O cientista político André César destacou que, embora ainda não seja possível prever a intensidade dos efeitos, há uma expectativa de que esses episódios possam influenciar o clima eleitoral, especialmente no rádio e na televisão, quando o período de campanha oficial se intensificar.
Outro ponto relevante é o envolvimento do ministro André Mendonça na relatoria do inquérito que investiga o financiamento do filme “Dark Horse”. O caso foi distribuído a ele pelo presidente do STF, Edson Fachin, devido à conexão com procedimentos em andamento no gabinete de Mendonça relacionados ao Banco Master e aportes financeiros suspeitos. Recentemente, o inquérito ganhou destaque com a divulgação de um áudio do senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro, no qual pede dinheiro a Daniel Vorcaro para financiar a produção do filme. A repercussão dessa gravação coincidiu com uma queda no desempenho eleitoral de Flávio, que viu suas intenções de voto diminuir em pesquisas recentes.
Além disso, a Justiça eleitoral também atuou na tentativa de frear possíveis distorções na apuração de intenções de voto. Em 8 de junho, o presidente do TSE, ministro Nunes Marques, determinou a suspensão de uma pesquisa do instituto AtlasIntel, após pedido do Partido Liberal (PL), alegando irregularidades na metodologia do levantamento.
Esses episódios evidenciam o grau de complexidade e a intensidade do cenário político atual, marcado por investigações que envolvem diretamente os candidatos e seus familiares, além do impacto que esses fatos podem ter na formação da opinião pública e na disputa pelo Palácio do Planalto em 2026.









