Luan Monteiro, de 29 anos, foi escolhido pelo Partido da Causa Operária (PCO) como pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro nas eleições de 2026. Integrante da Direção Nacional do PCO, Monteiro já disputou cargos eletivos anteriormente, incluindo candidaturas a vereador do Rio em 2020 e 2024, além de uma tentativa de conquistar uma vaga na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) em 2022, sem sucesso nas três ocasiões. O partido, que não possui representantes no Congresso Nacional, busca fortalecer sua presença política com a candidatura de Monteiro.
O pré-candidato ganhou destaque no PCO durante sua trajetória como estudante na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e como coordenador do Comitê de Luta Estudantil do Rio, uma organização vinculada à Aliança da Juventude Revolucionária (AJR), braço jovem do partido. A atuação de Monteiro ao longo dos anos inclui mobilizações em defesa do povo palestino, envolvimento em movimentos estudantis durante a pandemia de COVID-19 e apoio a greves de trabalhadores no estado, como as dos garis e operários da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) em Volta Redonda.
Monteiro enfatiza que a campanha em defesa da Palestina contribuiu para o crescimento do PCO no estado. Essa posição permitiu que o partido se aproximasse de setores que, historicamente, não eram seus aliados, como grupos do PSOL e organizações da comunidade árabe e xiita. Em sua luta por moradia, o pré-candidato destaca a colaboração do PCO com a Frente Internacionalista dos Sem-Teto (FIST), uma parceria que transcende a pauta habitacional, fundamentando-se em um posicionamento anti-imperialista compartilhado. Segundo Monteiro, a FIST chegou a orientar suas ocupações a hastear bandeiras da Palestina após o dia 7 de outubro, além de se manifestar em apoio à Venezuela e ao Irã contra o que o partido considera agressões imperialistas.
Um dos pontos centrais da campanha de Monteiro é a crítica à tentativa da prefeitura de Angra dos Reis, sob o comando do MDB, de instituir uma taxa de acesso à Ilha Grande. Para ele, essa medida é um reflexo de uma ofensiva privatista sobre o patrimônio natural do estado, ressaltando que a reação contrária partiu dos próprios moradores, sem apoio de grupos da esquerda organizada.
Na questão da segurança pública, Monteiro adota uma posição radicalmente contrária ao modelo de operações policiais nas favelas, incluindo aquelas realizadas durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ao comentar operações nos complexos do Alemão e da Penha, ele afirma que “nada mudou” e critica a truculência policial, alegando que o crime organizado continua a operar normalmente, enquanto a população vive sob um regime de terror em áreas onde o Estado é ausente.
Monteiro também critica o endurecimento da política de segurança pública do governo federal, considerando que propostas como a PEC Antifacção ampliam os mecanismos de repressão estatal, o que pode afetar não apenas organizações criminosas, mas também movimentos sociais. Ele argumenta que o aumento do poder repressivo do Estado e a diminuição das garantias individuais tendem a agravar a violência, em vez de resolvê-la.
Em relação à política de drogas, Monteiro defende uma abordagem centrada na saúde pública, em vez da repressão policial. O PCO propõe a legalização de todas as drogas e argumenta que o Estado deve concentrar esforços em políticas de prevenção, tratamento e assistência a dependentes químicos, em vez de criminalizar usuários.
Atualmente, nas pesquisas de intenção de voto, Luan Monteiro não aparece entre os candidatos preferidos para o governo do Rio de Janeiro. A pré-candidatura do PCO segue a estratégia adotada em nível nacional, onde Rui Costa Pimenta é o candidato à presidência. O partido reconhece que o principal objetivo da candidatura de Monteiro é divulgar e fortalecer suas posições políticas, além de organizar militantes e apoiadores, mais do que efetivamente disputar a liderança do Palácio Guanabara.









