Em entrevista concedida à TV Globo nesta quinta-feira (15), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abordou novamente o escândalo envolvendo o Banco Master, destacando a complexidade do caso e a relação de diversos integrantes do Poder Judiciário e do Executivo com as investigações. Lula afirmou que a questão paira sobre todos os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e reforçou a necessidade de apuração de possíveis vínculos de figuras relevantes do governo e do Judiciário com o banqueiro Daniel Vorcaro, apontado como figura central na controvérsia.
O presidente tentou distanciar-se das controvérsias que envolvem ministros do STF, especialmente em relação às investigações que envolvem o ministro Alexandre de Moraes. Lula alegou que há uma tentativa de setores da direita de responsabilizar o ministro por sua atuação na condenação de Jair Bolsonaro no episódio do 8 de janeiro, além de afirmar que o movimento não se limita a esse vínculo, mas também inclui outros ministros, como Dias Toffoli, André Mendonça e Kassio Nunes Marques. Segundo Lula, esses nomes também estariam implicados na investigação, o que reforça sua posição de que todos devem ser investigados de forma igualitária.
Questionado sobre o pedido de vista feito pelo ministro Flávio Dino, indicado pelo próprio Lula ao STF, em julgamento que trata da abertura de investigação contra Moraes, o presidente afirmou que não possui poder para interferir nas decisões do tribunal. Lula explicou que Dino solicitou vista para que os processos sejam julgados em uma única sessão, alegando que a denúncia contra Moraes deve ser avaliada de maneira unificada. O chefe do Executivo ressaltou que, atualmente, a denúncia sobre o caso paira sobre todos os envolvidos, reforçando a necessidade de uma análise conjunta.
Lula também comentou seu encontro com Daniel Vorcaro, realizado em dezembro de 2024, afirmando que atendeu ao banqueiro da mesma forma como recebe outros representantes do setor financeiro. Segundo o presidente, essa postura é natural e comum, uma vez que banqueiros procuram o presidente em momentos de dificuldades, assim como ocorreu com Silvio Santos, quando o Banco Panamericano enfrentou problemas. Lula afirmou que o Banco Central atua de forma técnica, não política, e que, em caso de problemas técnicos, a instituição age de maneira a encerrar operações, se necessário.
No âmbito da Polícia Federal, Lula abordou a participação do diretor-geral da instituição, Andrei Rodrigues, em um evento realizado por Vorcaro em Londres, em abril de 2024. Apesar de elogiar o trabalho de Rodrigues, o presidente declarou não ter se convencido completamente com a justificativa apresentada pelo diretor para a viagem ao exterior. Lula afirmou que, embora reconheça seu desempenho profissional, não garantirá a permanência de Rodrigues no cargo em um eventual quarto mandato presidencial, sinalizando uma possível mudança na direção da Polícia Federal.
Ao falar sobre o cenário político e as investigações em andamento, Lula reforçou sua postura de que todos os envolvidos devem ser investigados de forma imparcial, reforçando a importância da transparência e da investigação técnica, sem interferências políticas.








