O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta segunda-feira, 19 de outubro, que pretende formalizar junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na terça-feira, 20 de outubro, um pedido de autorização para a quebra de seus sigilos bancário e telefônico, além de solicitar acesso aos dados de seus familiares. A iniciativa, que visa demonstrar transparência durante o processo eleitoral, também inclui uma provocação ao adversário na disputa presidencial, Flávio Bolsonaro (PL), desafiando-o a fazer o mesmo e estender a medida a parentes e empresas.
A declaração foi feita inicialmente durante o debate presidencial realizado pela Band no domingo, 18 de outubro, e foi reiterada nesta segunda, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, durante compromisso de campanha. Lula afirmou que aguarda uma resposta de Flávio Bolsonaro, sugerindo que o adversário poderia aproveitar a oportunidade para demonstrar transparência e afastar suspeitas de corrupção que o cercam. Segundo Lula, a iniciativa visa também combater as acusações dirigidas a seus familiares ao longo do processo eleitoral.
“Vou entregar isso amanhã no TSE na expectativa que o candidato adversário apresente proposta para abrir seu sigilo, das suas empresas e família”, declarou Lula, reforçando o caráter de transparência da ação.
O presidente justificou a inclusão de seus cinco filhos — Lulinha, Lurian, Marcos, Sandro e Luis Claudio — na solicitação, afirmando que deseja reagir às acusações feitas contra seus familiares durante a campanha. Lula afirmou que essa é sua última disputa eleitoral e ressaltou que não pode permitir que alguém tente destruir sua biografia com acusações infundadas. Ele declarou ainda que a medida visa proteger sua reputação, a honra de sua família e o interesse de um país que, segundo ele, não pode ser governado por um “ladrão”.
Durante evento de campanha em Porto Alegre, Lula voltou a defender que Flávio Bolsonaro também permita o acesso às suas informações financeiras e telefônicas, assim como às de seus familiares. Em um cartaz exibido no ato, o presidente escreveu a frase “abre o sigilo, Flávio”. Lula, que não utiliza telefone celular, reforçou seu apelo ao afirmar que entregará uma procuração na próxima oportunidade para que seus sigilos sejam abertos, incluindo o de seus filhos, esposa e irmãos.
Na ocasião, Lula questionou ainda a origem de recursos financeiros de Flávio Bolsonaro, citando especificamente a quantia de R$ 134 milhões em uma conta bancária de nome “Banco Master” e a aquisição de uma casa de R$ 10 milhões à vista, com salário semelhante ao dele. Lula também acusou Flávio de receber recursos em transações não oficiais, reforçando seu desafio para que o adversário permita a transparência de suas informações financeiras e patrimoniais.
Este episódio reforça o clima de troca de provocações e debates sobre transparência e integridade na campanha presidencial, com Lula buscando demonstrar disposição de abrir seus sigilos como forma de combater suspeitas e questionamentos, ao mesmo tempo em que desafia Flávio Bolsonaro a fazer o mesmo, numa tentativa de ampliar o debate sobre a origem e o uso de recursos de ambos os candidatos.








