Reeleito no segundo turno neste domingo (25/10), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em seu primeiro discurso após a confirmação do resultado, que pretende governar para toda a população brasileira, independentemente das preferências políticas dos eleitores. Na fala, o petista agradeceu a mobilização de apoiadores, defendeu a democracia e apresentou prioridades para o próximo mandato, incluindo diálogo com o Congresso Nacional, maior participação popular e investimentos em educação, saúde, tecnologia e sustentabilidade.
Lula reconheceu que terá de lidar com uma composição parlamentar mais conservadora no Congresso Nacional, mas disse que buscará construir acordos para aprovar as propostas do Executivo. Segundo o presidente, a responsabilidade de governar passa a abranger todos os brasileiros e todas as cidades, sem distinção entre os eleitores que votaram nele e aqueles que apoiaram o adversário, Flávio Bolsonaro.
“Na medida em que a gente ganha as eleições, a gente não tem mais adversário. Eu tenho que governar para 215 milhões. Tenho que governar para todas as cidades”, afirmou.
Ao comentar a relação com deputados e senadores eleitos, Lula ressaltou que a composição do Legislativo foi definida pelo voto popular e deverá ser respeitada pelo Executivo. Para o presidente, a articulação institucional será determinante para a aprovação das medidas planejadas para o novo mandato.
“Eu não escolhi o Congresso, foi o povo que escolheu e é com ele que eu vou votar, vou trabalhar e vou aprovar as coisas”, declarou.
O presidente também defendeu a preservação das instituições e das regras democráticas diante das divergências políticas existentes no país. Lula afirmou que ninguém é obrigado a apoiar ou gostar do chefe do Executivo, mas destacou que o presidente eleito deve governar para toda a sociedade.
“Ninguém é obrigado a gostar do presidente eleito, mas ele foi eleito para governar para todos”, disse.
Participação popular e comunicação digital
Entre as mudanças previstas para a próxima gestão, Lula afirmou que pretende alterar a forma de condução das políticas públicas e ampliar a participação da população nas decisões do governo. O presidente também indicou que os canais digitais de comunicação terão papel mais relevante na administração federal.
“Eu posso garantir para vocês que nós vamos mudar o jeito de governar. Quero dizer para vocês que nós vamos fazer o povo participar mais nas nossas decisões. E quero dizer para vocês que a comunicação digital vai ganhar um espaço muito grande no meu governo”, prometeu.
As políticas destinadas à população idosa foram citadas como uma das prioridades da nova administração. Em relação às mulheres, Lula afirmou que pretende implementar ações voltadas ao respeito e ao atendimento de suas necessidades.
Educação e desenvolvimento tecnológico
Na educação, uma das metas apresentadas é ampliar a oferta de ensino em tempo integral até o fim do ensino médio. Lula também declarou que deseja fortalecer o Pé-de-Meia, programa de incentivo financeiro destinado a estudantes dessa etapa escolar.
O presidente mencionou ainda a criação de uma iniciativa semelhante voltada a universitários. A proposta teria como objetivo reduzir a evasão no ensino superior, sobretudo entre jovens que precisam trabalhar para custear a própria permanência nos estudos.
O desenvolvimento de tecnologia nacional também foi incluído entre os objetivos do próximo governo. Lula defendeu o reforço do ensino de matemática e engenharia como forma de ampliar a capacidade brasileira de produzir conhecimento e desenvolver soluções próprias, especialmente na área de inteligência artificial.
“Iremos ensinar mais matemática, mais engenharia, porque eu não quero ficar dependendo de inteligência chinesa ou americana, eu quero criar uma brasileira”, declarou.
O presidente também apontou o potencial brasileiro para a produção de energia renovável como uma oportunidade de atrair investimentos estrangeiros, principalmente para a instalação de centros de processamento de dados, conhecidos como data centers. A intenção é vincular a instalação dessas estruturas no país ao compromisso de reservar parte de sua capacidade para o armazenamento e o processamento de informações brasileiras.
Além da infraestrutura tecnológica, Lula citou o estímulo à economia digital, à sustentabilidade e à indústria criativa. Segundo a proposta apresentada, esses segmentos podem contribuir para o crescimento econômico e para a aproximação do Brasil do grupo de países desenvolvidos.
Agenda internacional e meio ambiente
No cenário internacional, Lula defendeu uma participação mais ativa do Brasil em debates sobre mudanças climáticas, economia e paz. Ao tratar da agenda ambiental, agradeceu à ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva e ao atual titular da pasta, João Paulo Capobianco, pelo trabalho realizado e destacou os resultados alcançados na redução do desmatamento.
O presidente também defendeu que o Brasil amplie sua presença nas discussões globais relacionadas à sustentabilidade e às transformações econômicas provocadas pelo avanço tecnológico. A geração de energia renovável e a preservação ambiental foram apresentadas como fatores capazes de atrair investimentos e fortalecer a posição do país no exterior.
Saúde e fortalecimento do SUS
Na área da saúde, Lula afirmou que a defesa do Sistema Único de Saúde (SUS) esteve entre os motivos que o levaram a disputar a reeleição. O presidente disse que uma de suas preocupações era evitar o que classificou como uma tentativa de privatização do sistema por parte de Flávio Bolsonaro (PL), derrotado nas urnas neste domingo.
Para o novo mandato, o petista pretende dar continuidade à modernização da rede pública de saúde em parceria com o ministro Alexandre Padilha. Entre as metas citadas está a ampliação do acesso dos pacientes ao tratamento contra o câncer.
Lula também mencionou a criação de um hospital inteligente, projeto desenvolvido com a participação da Universidade de São Paulo (USP) e financiado com recursos do Novo Banco de Desenvolvimento, instituição financeira dos Brics presidida pela ex-presidente Dilma Rousseff.
Outra iniciativa anunciada é a implantação de 15 unidades de terapia intensiva (UTIs) inteligentes. De acordo com o presidente, a medida busca reduzir o número de mortes que poderiam ser evitadas caso os pacientes recebessem atendimento adequado e tratamento no tempo necessário.






