A avaliação de dirigentes da federação é que uma candidatura de Aro ao Palácio Tiradentes poderia servir como ponto de convergência entre União Brasil, Progressistas, Republicanos e PL. Nesse cenário, o senador Cleitinho (Republicanos), que mantém pré-candidatura ao governo, poderia abrir mão da disputa e indicar o ex-prefeito de Patos de Minas Luís Eduardo Falcão para vice. Já a vaga ao Senado ficaria com o deputado federal Domingos Sávio (PL), que já se apresenta como pré-candidato.
Um fator considerado favorável é o cenário nacional. Diferentemente de Mateus Simões, aliado do ex-governador Romeu Zema (Novo) – que apoia a própria pré-candidatura presidencial –, a federação União Progressista não estaria vinculada a nenhum projeto e teria liberdade para oferecer, em Minas, um palanque à eventual candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) ao Planalto.
Em entrevista à TV Plan, de Poços de Caldas, na quarta-feira (22), Aro afirmou que a federação não apoiará a reeleição de Mateus Simões caso o PSD mantenha a intenção de lançar Carlos Viana na corrida ao Senado. Ele classificou a filiação de Viana ao PSD como “bizarra” e disse que PP e União não ficaram satisfeitos com o movimento da sigla que abriga Simões e é presidida nacionalmente por Gilberto Kassab. Embora projete um desembarque se o impasse não for resolvido, Aro garante que ainda não sabe qual caminho tomará se a aliança for rompida.
Nos bastidores, interlocutores avaliam que Aro reúne experiência política e uma ampla rede de relacionamento com prefeitos e lideranças municipais, o que poderia fortalecer uma candidatura competitiva ao governo. A mudança ocorre após o espaço de Aro como candidato ao Senado na chapa governista passar a ser colocado em dúvida com a filiação de Carlos Viana ao PSD. Além do histórico de divergências entre os dois, aliados avaliam que ambos disputam a mesma faixa do eleitorado, o que dificultaria uma composição na mesma chapa. A forma como a filiação de Viana foi conduzida também teria provocado desgaste: segundo interlocutores, Aro só foi informado da articulação – conduzida com o aval de Kassab – depois que as negociações já estavam concluídas.
Caso a candidatura se confirme, o movimento altera significativamente o cenário da disputa pelo governo de Minas. Além de perder um aliado de peso, Mateus Simões poderá enfrentar um adversário competitivo no campo da direita – justamente alguém que, até abril deste ano, comandava a articulação política do governo estadual e concentrava influência sobre a distribuição de emendas e sobre a relação com prefeitos e lideranças municipais.