Os ministros André Mendonça e Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), comunicaram à Polícia Federal (PF) neste sábado, dia 19 de outubro, que ainda não tiveram sucesso em acessar os dados do celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, devido a problemas técnicos relacionados ao material enviado pela corporação. A informação foi confirmada por meio de um ofício encaminhado ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e obtido pela CNN, no qual os magistrados explicaram que seus gabinetes ainda não acessaram nenhuma informação do aparelho, alegando dificuldades no manuseio do conteúdo entregue.
Segundo os ministros, o problema técnico impede que o conteúdo do celular seja examinado de forma efetiva, levantando questionamentos sobre a origem da dificuldade. Eles questionaram se a falha estaria relacionada à operação com os dados ou a algum defeito físico nos arquivos fornecidos pelos investigadores. André Mendonça solicitou, por meio do documento, apoio técnico especializado à Polícia Federal para que os gabinetes possam verificar o estado real do material entregue, ressaltando que os dados permanecem indisponíveis para análise.
A questão do acesso ao celular de Vorcaro tem sido uma fonte de tensões recentes no STF, especialmente devido ao potencial de revelação de informações sensíveis, incluindo citações a ministros, o que tem aumentado o clima de disputa interna na Corte. O material completo do aparelho foi enviado aos gabinetes de Mendonça e Fux na quinta-feira, dia 17, após ambos solicitarem acesso na quarta-feira, dia 16. Essa entrega faz parte de uma série de requisições feitas pela corte para obter informações contidas no dispositivo.
A solicitação de acesso ocorreu um dia após uma sessão do STF que discutiu a possibilidade de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, relacionada a supostas conversas com o ex-banqueiro. O conteúdo do aparelho, que também foi entregue pela Polícia Federal aos ministros Cristiano Zanin e Gilmar Mendes na segunda-feira, dia 14, é o mesmo material enviado aos ministros Mendonça e Fux. Na ocasião, Zanin havia pedido acesso direto ao celular a Mendonça, relator do caso envolvendo Vorcaro, mas recebeu a informação de que o material já estaria disponível e que a divulgação integral do conteúdo poderia gerar tumulto na sessão, além de representar risco à investigação.
Durante a sessão do STF, marcada por debates acalorados e acusações, Mendonça afirmou que só tomou conhecimento de referências a colegas ministros naquele momento, alegando que os dados de Vorcaro mantidos em seu gabinete estavam lacrados. A disputa pelo acesso ao conteúdo do celular evidencia o grau de complexidade e sensibilidade do caso, que envolve investigações de alta relevância e potencial impacto político na Corte.









