A competição digital entre os candidatos à presidência do Brasil apresenta dinâmicas distintas, a apenas três meses das eleições gerais. Um estudo realizado pela consultoria Bites, a pedido da CNN, indica que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) possui a maior quantidade de seguidores, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) se destaca na capacidade de mobilizar seu público nas redes sociais.
Ao final de junho, Lula contabilizava 38,9 milhões de seguidores, consolidando-se como o pré-candidato com a maior audiência digital entre os monitorados. Flávio Bolsonaro, por sua vez, ocupa a segunda posição, com 21 milhões de seguidores. No entanto, o senador foi o que mais cresceu em números absolutos, adicionando cerca de 5,6 milhões de novos seguidores no primeiro semestre de 2023, o que representa um aumento de 36%. Lula, em comparação, ganhou 1,8 milhão de seguidores, o que corresponde a um crescimento de 5% no mesmo período.
Os dados da pesquisa englobam as principais plataformas sociais, incluindo Instagram, TikTok, Facebook, X e YouTube. Esses números refletem momentos distintos das duas principais forças políticas do Brasil. Com 80 anos, Lula lidera as pesquisas de intenção de voto e se prepara para buscar um terceiro mandato no Palácio do Planalto.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, tenta se consolidar como o sucessor político do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que atualmente enfrenta inelegibilidade. O senador se empenha em reduzir as divergências internas dentro de seu partido e estabelecer seu nome como um candidato viável.
A diferença entre Flávio e Lula se torna mais evidente quando a análise se concentra na capacidade de mobilização. A Bites também avaliou a tração, um indicador que mede a repercussão nas redes sociais. Nesse aspecto, Flávio liderou em 21 das 26 semanas analisadas entre janeiro e junho. O senador foi superado apenas cinco vezes, sendo três delas por Romeu Zema (Novo) e duas por Lula.
Lula se destacou no início de janeiro, em decorrência do veto ao chamado PL da Dosimetria, e voltou a liderar entre o final de maio e o início de junho, após publicar um vídeo defendendo a soberania brasileira. Zema, o pré-candidato mineiro, registrou os maiores picos de tração em março e no final de abril, intensificando críticas a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) através de uma série de postagens intitulada “Os Intocáveis”.
Além de Lula, Flávio e Zema, outros candidatos buscam espaço nas redes sociais para se viabilizar na disputa de outubro. O primeiro turno das eleições está marcado para o dia 4 de outubro, com um possível segundo turno em 25 de outubro.
Renan Santos (Missão) obteve o maior crescimento percentual entre os pré-candidatos, com um aumento de 430,7%, passando de cerca de 537 mil para 2,8 milhões de seguidores. Apesar de ser o maior avanço em termos percentuais, ele ainda parte de uma base menor em comparação aos adversários. Romeu Zema ampliou sua base em 63,3%, alcançando cerca de 2,4 milhões de seguidores, enquanto Ronaldo Caiado (PSD) conquistou aproximadamente 795 mil novos seguidores, um crescimento de 20,1%.
Os demais pré-candidatos apresentam desempenhos mais discretos. Aldo Rebelo (DC) conta com 347 mil seguidores, com um crescimento de 31,2%. Augusto Cury, com 14,4 milhões de seguidores, e Cabo Daciolo, com 2 milhões, foram monitorados pela Bites apenas após o anúncio de suas pré-candidaturas.
Especialistas alertam que o número de seguidores não necessariamente reflete a intenção de voto ou permite prever os resultados nas urnas. As bases digitais são influenciadas por diversos fatores, como o tempo de presença nas plataformas, as estratégias de comunicação, o impulsionamento de conteúdo e a presença de contas inativas ou robôs.
O advogado especializado em direito eleitoral, Newton Lins, enfatiza que os dados das redes sociais devem ser analisados com cautela. “Seguidores e engajamento demonstram a capacidade de comunicação e mobilização dos candidatos, mas são apenas um dos indicadores da disputa eleitoral”, afirma.
Lins ressalta que o levantamento é essencial para traçar um panorama da disputa digital e entender como os principais candidatos estão construindo sua presença e alcance nas plataformas. A importância das redes sociais na política brasileira não é uma novidade. Em 2018, Jair Bolsonaro utilizou essas plataformas como sua principal ferramenta de campanha, alcançando uma visibilidade sem precedentes.
O cenário eleitoral de 2026 traz suas particularidades, mas a luta pelo engajamento digital continua a ser um elemento crucial na formação das candidaturas, na estruturação dos palanques e na tentativa de influenciar o eleitorado nos meses que antecedem a eleição.






