A Polícia Federal (PF) revelou nesta quarta-feira, 24 de outubro, que Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi mencionado como “destinatário de pagamentos e benefícios” em interceptações telefônicas realizadas com autorização judicial. As conversas, interceptadas entre a lobista Roberta Luchsinger e o empresário Cleber Ribas, fazem parte de um inquérito que investiga a possível atuação de Lulinha em reuniões com membros próximos ao presidente, visando intermediar contratos entre a empresa de Ribas, a 3Structure It LTDA, e a estatal Dataprev, vinculada ao Ministério da Previdência Social.
O inquérito busca apurar indícios de tráfico de influência envolvendo Lulinha e Roberta Luchsinger. Segundo as investigações, em uma das conversas interceptadas, a lobista afirma ter envolvido o “palácio” — termo utilizado para se referir ao Palácio do Planalto — em negociações. A suspeita da PF é que Luchsinger tenha sido contratada por Ribas para facilitar o acesso ao governo federal, buscando obter contratos públicos com o apoio de Lulinha. Durante a análise do conteúdo das interceptações, a polícia identificou diálogos nos quais Roberta solicita pagamentos a Ribas, destinados a cobrir despesas do filho do presidente.
Os advogados de Lulinha e Ribas negam qualquer irregularidade nas negociações. A defesa de Roberta Luchsinger, por sua vez, não se manifestou até o momento. Conforme o relatório da PF, Fábio Luís é mencionado em diversos momentos como participante de reuniões de interesse empresarial, sendo citado como destinatário de benefícios pagos por terceiros. Além disso, há registros de sua participação direta em discussões relacionadas à emissão de notas fiscais destinadas a Ribas. A Polícia Federal destaca que a presença de Lulinha em tais atividades, quando considerada em conjunto, constitui indícios de sua participação efetiva nas ações da suposta associação informal investigada, levando à necessidade de aprofundamento das diligências para esclarecer seu papel, responsabilidades e eventuais vantagens obtidas.
Em um dos diálogos interceptados, datado de junho de 2023, Roberta Luchsinger detalha ações realizadas em favor de Ribas, incluindo agendamento de reuniões com a Geap (empresa de assistência à saúde), portos, aeroportos e os Correios, além de aguardar confirmação de dados pela Dataprev. Ela afirma que envolveu o “palácio” na negociação e relata estar em uma mesa de trabalho com outros interlocutores, indicando que as ações estavam sendo conduzidas com a intenção de obter resultados favoráveis ao empresário.
A defesa de Cleber Ribas afirma que o empresário nunca teve contratos com a Dataprev nem relação comercial com Lulinha. Alegam que a consultoria de Roberta Luchsinger foi contratada de forma lícita, para atividades de captação de clientes e identificação de oportunidades de negócio no setor de tecnologia, atividades comuns no mercado. Os advogados ressaltam que, por não terem acesso aos dados brutos das interceptações ou ao conjunto completo das investigações, não é possível emitir juízo definitivo sobre as mensagens divulgadas, que foram fragmentadas e descontextualizadas.
A defesa de Ribas também afirma que todos os contratos firmados com o governo federal seguiram os procedimentos legais, com total transparência, sem favorecimento de qualquer parte. Quanto a Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, advogado do filho do presidente, declarou que seu cliente não cometeu irregularidades, classificando os vazamentos como seletivos e criminosos. Ele criticou a atuação da oposição, alegando que setores da Polícia Federal estariam sendo instrumentalizados para fins eleitorais, e destacou que o ex-presidente Jair Bolsonaro teria tentado manipular a PF em benefício próprio, ao passo que Lula teria adotado postura de estadista, fortalecendo as instituições do Estado.
A Polícia Federal informou que irá intimar Lulinha após concluir a análise das mensagens interceptadas, enquanto as investigações continuam em andamento, buscando esclarecer o envolvimento de todos os envolvidos no contexto das suspeitas de tráfico de influência e obtenção de vantagens indevidas.








