A Polícia Federal (PF) identificou uma troca de mensagens na qual Daniel Vorcaro orienta seu cunhado e operador financeiro, Fabiano Zettel, a tratar com consideração Paulo Sérgio Neves de Souza, na época chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária (Desup) do Banco Central e ex-diretor de Fiscalização da instituição. A revelação faz parte de um relatório divulgado na noite de quinta-feira, 10 de novembro, após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, determinar a retirada do sigilo da investigação relacionada ao caso conhecido como “Caso Master”, a pedido do presidente da Corte, Edson Fachin.
Segundo o documento, Vorcaro descreveu Paulo Sérgio como um “anjo na vida” dele, uma expressão que indica a importância que atribuía ao servidor na tentativa de influenciar decisões e obter informações privilegiadas. A conversa foi identificada no contexto de uma apuração que investiga possíveis relações de Vorcaro com integrantes do Banco Central, especialmente com membros ligados à Diretoria de Fiscalização, unidade responsável por supervisionar instituições financeiras e que, segundo os investigadores, teria atuado de forma a favorecer interesses do Banco Master, controlado por Vorcaro.
A investigação aponta que, na conversa, Zettel informa a Vorcaro que encontraria Paulo Sérgio naquele dia e solicita orientações sobre o procedimento a ser adotado. Em resposta, Vorcaro recomenda que o servidor seja tratado com cortesia e, mais uma vez, reforça sua consideração ao chamá-lo de “anjo na vida”. Essa recomendação sugere uma tentativa de estabelecer uma relação de favorecimento ou influência direta sobre o servidor do Banco Central, com o objetivo de obter informações ou influenciar processos internos da instituição.
A Polícia Federal indica que Paulo Sérgio, na época chefe-adjunto do Desup, teria atuado de forma a orientar Vorcaro e, aparentemente, buscar influenciar decisões relacionadas a interesses do Banco Master, controlado por Vorcaro. Os investigadores avaliam que há indícios de que Vorcaro exercia influência sobre membros do Banco Central por meio do acesso a informações confidenciais e da interferência em processos decisórios internos da autarquia. Essas ações, segundo o relatório, indicam uma possível tentativa de manipulação de procedimentos regulatórios e de fiscalização, o que configura uma conduta grave e potencialmente ilícita.
Até o momento, a defesa de Paulo Sérgio Neves de Souza não se manifestou oficialmente sobre o conteúdo do relatório divulgado pela Polícia Federal. O documento reforça a complexidade das investigações relacionadas ao caso Master, que envolvem suspeitas de influência indevida e uso de informações privilegiadas no âmbito do Banco Central. A apuração continua em andamento, buscando esclarecer as relações e possíveis irregularidades envolvendo os envolvidos.








