O Partido Progressista (PP) e a Federação União Progressista (União) decidiram manter uma postura de neutralidade na eleição presidencial de 2022, abstendo-se de apoiar oficialmente tanto o candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, quanto o do PL, Flávio Bolsonaro. Essa estratégia reflete uma postura de não repartir o tempo de propaganda eleitoral, que corresponde a 20% do total de recursos destinados às legendas, entre esses dois nomes. Essa decisão impacta a distribuição de recursos e a estratégia de campanha, evidenciando uma tentativa de manter uma posição de independência no cenário nacional.
No âmbito estadual, a atuação dessas legendas revela uma divisão mais específica. Entre os 26 estados mais o Distrito Federal, em 15 deles, incluindo Minas Gerais, a Federação União Progressista optou por não se alinhar às candidaturas ao governo local apoiadas pelo PT ou pelo PL. Em contrapartida, no Amapá, Davi Alcolumbre, líder do União Brasil, e o PP estão apoiando a reeleição do governador Clécio Luís, que é filiado ao União Brasil e está em ampla coligação com Alcolumbre e o senador Randolfe Rodrigues (PT). Essa aliança demonstra uma estratégia de apoio a candidatos que mantêm uma relação de alinhamento político com os interesses de Alcolumbre, embora a postura geral do partido seja de neutralidade na disputa presidencial.
Davi Alcolumbre, que em 29 de abril se posicionou ao lado da bancada bolsonarista no Senado para impedir a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), busca agora ampliar sua influência ao tentar obter o apoio de Lula para permanecer na presidência do Senado e do Congresso Nacional em 2027. Essa movimentação ocorre em meio a uma conjuntura política onde há uma tentativa de reaproximação entre Alcolumbre e o governo federal, especialmente considerando que a cúpula bolsonarista aposta na eleição da senadora Tereza Cristina (PP-MS) para a Mesa Diretora do Senado, o que reforça a estratégia de Alcolumbre de estabelecer uma relação mais próxima com o presidente Lula.
Paralelamente, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), também busca a recondução ao cargo em 2027. Assim como a Federação União Progressista, o partido Republicanos mantém uma postura de neutralidade na eleição presidencial. Nas disputas estaduais, o partido adotou uma estratégia variável: em 11 estados, incluindo Minas Gerais, a legenda permanece neutra, embora o senador Cleitinho (Republicanos) tenha adiado ao máximo a definição de sua candidatura, levando o PL de Flávio Bolsonaro a anunciar Flávio Roscoe, presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), como candidato ao governo mineiro.
Em sete estados, incluindo São Paulo, o Republicanos apoiará Flávio Bolsonaro, enquanto em outros nove, a legenda manifesta apoio a Lula, entre eles a Paraíba, estado de Hugo Motta. Na Paraíba, uma ampla coligação de apoio à reeleição do governador Lucas Ribeiro (PP) conta com respaldo do PT e do PSB, demonstrando uma estratégia de alianças que transcendem a polarização presidencial.
No âmbito da governabilidade, a reaproximação de Lula com Alcolumbre e Hugo Motta é vista como uma estratégia para facilitar a tramitação de pautas prioritárias no Congresso. Entre os projetos de interesse do governo federal estão a aprovação do fim da escala 6×1, atualmente parada no Senado, a análise de uma medida provisória que elimina a chamada “taxa das blusinhas” — que perde validade em 8 de setembro — além de propostas como a PEC da Segurança Pública e a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A ausência de lideranças dispostas a comandar as casas legislativas pode atrasar ou dificultar a tramitação dessas matérias, reforçando a importância do alinhamento político entre o Executivo e o Legislativo para o avanço da agenda governamental.






