O prefeito de Belo Horizonte e presidente estadual da federação União Brasil e Partido Progressista (PP), Álvaro Damião, manifestou publicamente seu apoio às candidaturas de Mateus Simões (PSD) ao Governo de Minas Gerais e de Marcelo Aro (PP) ao Senado Federal. A declaração ocorreu nesta sexta-feira (7), durante entrevista coletiva na reabertura da Praça do Papa, na capital mineira, e ocorre em meio ao intenso conflito político entre os dois candidatos, que protagonizaram uma série de ataques recíprocos na última semana.
Damião reforçou sua lealdade às alianças formadas dentro da federação batizada de ‘União Progressista’, que reúne União Brasil e PP, destacando a importância de manter o apoio às candidaturas de ambos os nomes, mesmo diante do clima de ruptura. Ele afirmou que o apoio a Marcelo Aro ao Senado é resultado de uma relação de parceria consolidada ao longo dos anos, especialmente pelos serviços prestados por Aro na Câmara de Vereadores de Belo Horizonte, onde, segundo Damião, há uma forte ligação entre o prefeito e os vereadores da ‘Família Aro’. “Aro é o nosso candidato ao Senado, ele vai ter o apoio do prefeito de Belo Horizonte, do União Brasil e do PP na busca por essa vaga que tanto almeja”, declarou.
No que diz respeito a Mateus Simões, Damião destacou o reconhecimento pelas ações realizadas pelo governo do estado na capital mineira, expressando gratidão pelos investimentos feitos nos últimos dois anos. “Se tem uma coisa que eu sou, é grato. E se há uma coisa que eu detesto, é a ingratidão. Por isso, apoiamos o governador Mateus Simões, em reconhecimento às melhorias que ele trouxe para Belo Horizonte”, afirmou.
A relação entre Marcelo Aro e Mateus Simões, que tiveram uma parceria de aproximadamente três anos e meio, foi marcada por tensões recentes. Aro, que ocupou os cargos de secretário da Casa Civil e de Governo durante o mandato de Romeu Zema (Novo), vinha sendo considerado o nome natural para uma candidatura ao Senado na mesma chapa de Simões, que buscava a reeleição ao governo estadual. Contudo, a chegada do senador Carlos Viana ao PSD, partido do governador Zema, complicou a composição da chapa, levando Aro a buscar alianças com outros partidos e até a cogitar uma candidatura ao Governo de Minas contra Simões.
A ruptura oficial entre os dois ocorreu em 30 de julho, quando Simões anunciou a saída do grupo político de Aro do governo estadual, acusando-o de traição e de parasitar a administração em benefício próprio. A resposta de Aro veio nesta sexta-feira, ao afirmar que Simões confunde lealdade com subserviência e que não se submeterá às pressões do adversário, a quem classificou como “extremamente arrogante e antipático”.
No cenário de pré-campanha, marcado por reviravoltas e mudanças de estratégia, Marcelo Aro desistiu de concorrer ao Governo de Minas e passou a explorar alianças com o partido Republicanos, apoiando a candidatura do senador Cleitinho Azevedo ao Executivo estadual. A federação ‘União Progressista’ decidiu, por sua vez, apoiar Mateus Simões na disputa pelo governo, enquanto Aro seguirá sua campanha ao Senado de forma isolada, assim como o Novo, que apoiará Superman, e o PSD, que mantém a candidatura de Carlos Viana.
Damião também comentou sobre as movimentações de Aro em relação à candidatura ao governo, considerando-as naturais diante do cenário político. Segundo ele, a possibilidade de um candidato ao Senado construir uma candidatura ao Executivo estadual é uma estratégia legítima, especialmente por não haver, na federação, um candidato definido ao governo. “Se surgiu alguém dentro da chapa querendo construir essa candidatura, temos que apoiar essa iniciativa”, afirmou.
Por fim, o prefeito de Belo Horizonte destacou que a relação com a ‘Família Aro’ passou por altos e baixos desde seu início, especialmente após sua eleição em 2021. Em janeiro de 2025, Aro foi derrotado na disputa pela presidência da Câmara Municipal de Belo Horizonte, enfrentando resistência do grupo ligado ao ex-secretário de Governo de Zema e aliado de Aro. Com o passar do tempo, as diferenças foram sendo superadas, levando à construção de uma aliança que, atualmente, busca equilibrar interesses de diferentes partidos e lideranças em um momento de forte disputa eleitoral no estado.








