O primeiro debate entre candidatos ao Governo de Minas Gerais, realizado pela Rede Bandeirantes neste domingo (16), ficou marcado por momentos de tensão e discussões sobre temas de grande relevância para o estado. Entre os assuntos abordados estavam a dívida de Minas com a União, a mineração, a segurança pública e a privatização de estatais, refletindo as principais preocupações da população mineira.
No bloco dedicado às finanças estaduais, críticas ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) dominaram a discussão. O ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT), afirmou que a renegociação da dívida de Minas com a União, promovida pelo programa, foi uma “agressão” ao estado. Já Cleitinho Azevedo (Republicanos) destacou a importância do diálogo para resolver questões financeiras, afirmando que “se estou devendo uma pessoa, não há como brigar com ela; o que precisamos é de diálogo”. Flávio Roscoe (PL) reforçou a estratégia de mobilizar a bancada mineira no Congresso Nacional para pressionar o governo federal.
O ex-presidente da Câmara de Belo Horizonte, Gabriel Azevedo (MDB), lembrou que Minas admitiu uma dívida de R$ 200 bilhões com a União, ressaltando que a prioridade do estado é pagar a dívida sem juros, o que, segundo ele, exige responsabilidade fiscal e controle de gastos. Gabriel também prometeu rever subsídios concedidos a empresas mineiras, sinalizando uma postura de ajuste fiscal e incentivo à economia local. Por sua vez, o governador Mateus Simões (PSD) afirmou que Minas Gerais “paga o que deve” e que a dívida atual está compatível com a capacidade financeira do estado, embora com dificuldades. Ele destacou a necessidade de pressionar Brasília para que o governo federal aumente os repasses ao estado, defendendo que Minas merece receber em conformidade com o que contribui.
O debate contou com a presença dos candidatos Flávio Roscoe (PL), Mateus Simões (PSD), Cleitinho Azevedo (Republicanos), Gabriel Azevedo (MDB) e Alexandre Kalil (PDT). O candidato do PT, deputado Patrus Ananias, comunicou na sexta-feira (14) que não participaria do evento, justificando sua ausência por compromissos em São Paulo relacionados ao lançamento da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição.
No segmento dedicado à mineração, Gabriel Azevedo questionou Flávio Roscoe sobre formas de combater a corrupção no setor e garantir a preservação ambiental. Roscoe defendeu a mineração legal, destacando sua importância para Minas Gerais e afirmando que o setor é “vital” para a economia do estado. Ele ressaltou que a mineração irregular deve ser punida com rigor, e que o setor vem adotando práticas sustentáveis.
Nas considerações finais, Mateus Simões lamentou que o debate tenha “descambado” em discussões acaloradas, mas reafirmou seu orgulho por sua trajetória, desde a infância na fazenda em Araxá até sua gestão atual. Ele destacou as ações tomadas desde 2019, quando assumiu um estado financeiramente desestruturado, e reforçou seu compromisso de continuar governando Minas com dedicação.
Gabriel Azevedo destacou a importância de seu plano de governo, enfatizando a valorização dos policiais e melhorias na saúde e educação. Ele criticou a lentidão na resolução de questões como filas de cirurgias e a qualidade do ensino, defendendo uma gestão eficiente e transparente.
Flávio Roscoe reforçou sua posição como candidato da direita, expressando indignação com a situação do Brasil e Minas Gerais, e prometendo combater os efeitos do que chamou de “desastre do PT” no estado. Cleitinho Azevedo, por sua vez, afirmou que, embora esteja à frente nas pesquisas, seu objetivo é governar para todos os mineiros, independentemente de orientações políticas, destacando sua origem humilde e o compromisso de uma campanha sem uso de recursos públicos.
Por fim, Kalil destacou sua experiência à frente da Prefeitura de Belo Horizonte como diferencial para a gestão estadual, ressaltando realizações na área de saúde e infraestrutura. Ele afirmou que sua trajetória de sucesso, aliada à fé e ao apoio familiar, são seus principais atributos para disputar o cargo de governador.








