O Partido dos Trabalhadores (PT) divulgou as diretrizes que irão orientar a estratégia de campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, incluindo propostas para diversas áreas do governo. O documento, intitulado “Diretrizes para o Programa de Transformação do Brasil: um País Soberano, Democrático, Sustentável e Criativo”, tem 84 páginas e foi elaborado sob coordenação do ex-presidente da Petrobras Sérgio Gabrielli. Embora ainda possa passar por alterações durante o período eleitoral, o programa já serve como base para a campanha do petista.
Um dos principais eixos do documento é a defesa da soberania nacional. Em um contexto de tensões diplomáticas crescentes, especialmente após o aumento das disputas de influência internacional, o PT reforça a necessidade de o Brasil manter autonomia para decidir suas políticas econômicas e diplomáticas, sem sofrer ingerências externas. Ainda que o texto não mencione explicitamente o nome do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a elaboração ocorre em meio a um cenário de aumento das tensões entre Brasil e Estados Unidos, e o partido afirma que o país deve resistir a tentativas de subordinação a interesses de outros países.
O documento também enfatiza a intenção de ampliar a atuação do Brasil em questões internacionais, especialmente na regulamentação de plataformas digitais e inteligência artificial. A proposta defende uma política de soberania digital, com foco na proteção de dados e na cooperação tecnológica, buscando fortalecer a posição do Brasil no cenário global.
No âmbito econômico, o programa destaca a prioridade de aumentar os investimentos públicos e privados para estimular o crescimento econômico sustentável. Entre os setores considerados estratégicos estão áreas relacionadas à inovação, infraestrutura, tecnologia e serviços públicos. O objetivo é elevar a competitividade do país, melhorar a qualidade dos serviços públicos e consolidar uma posição mais forte no cenário internacional de inovação. Além disso, o PT reafirma seu compromisso com uma política econômica responsável, propondo uma redução gradual do déficit público, controle da inflação e queda nas taxas de juros.
Outro aspecto importante do documento é a continuidade da Reforma Tributária, considerada essencial para a modernização do sistema fiscal brasileiro. O PT também reforça sua agenda de valorização do trabalho e combate às desigualdades sociais, apontando esses temas como prioridades para a sua gestão futura.
Uma das propostas de maior destaque é a revisão do sistema de emendas parlamentares. O programa classifica o modelo atual como uma “grave distorção” do orçamento público, alegando que o crescimento das emendas impositivas alterou a relação entre Executivo e Legislativo, além de reduzir a capacidade de planejamento do governo federal. Segundo o documento, o volume de recursos destinados às emendas fragmenta investimentos e compromete a eficiência na aplicação do dinheiro público. O PT defende que o tema seja amplamente debatido com a sociedade e sinaliza a intenção de promover mudanças no sistema vigente, visando maior racionalidade na alocação de recursos públicos.
Além de apresentar propostas para um novo mandato, o documento faz um balanço das ações do governo Lula desde 2023, destacando medidas que, na avaliação do partido, promoveram crescimento econômico, geração de empregos, responsabilidade fiscal e redução das desigualdades sociais. Essas ações incluem programas de inclusão social, investimentos em infraestrutura e políticas de combate à pobreza, que, segundo o PT, contribuíram para a consolidação de avanços sociais e econômicos durante o atual mandato.
As diretrizes já foram protocoladas junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como parte do processo de registro da candidatura de Lula e deverão orientar a campanha eleitoral, podendo receber complementações ao longo do período de disputa.









