O ex-prefeito de Curitiba e ex-secretário estadual de Desenvolvimento Sustentável, Rafael Greca, do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), confirmou sua pré-candidatura ao governo do Paraná nas eleições de 2026. Com uma trajetória política que inclui três mandatos à frente da capital paranaense, Greca busca pela primeira vez alcançar o Palácio Iguaçu.
A oficialização da pré-candidatura de Greca foi acompanhada pela do senador Álvaro Dias, também do MDB. Anteriormente filiado ao Partido Social Democrático (PSD), Greca trocou de partido para facilitar sua candidatura. Ele justifica sua escolha afirmando que possui a experiência necessária para governar as 399 cidades do estado, destacando que é o único pré-candidato que já exerceu o cargo de prefeito.
Natural de Curitiba, Greca possui formação em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Paraná, com especialização em Urbanismo, além de um diploma em Economia pela Fundação de Estudos Sociais do Paraná. Sua carreira política começou ainda na juventude, quando foi convidado pelo então prefeito Jaime Lerner para trabalhar na Casa Romário Martins, precursor da Fundação Cultural de Curitiba.
Greca iniciou sua trajetória eleitoral como vereador de Curitiba pelo Partido Democrático Social (PDS) entre 1983 e 1987. Posteriormente, migrou para o Partido Democrático Trabalhista (PDT), pelo qual foi deputado estadual em duas legislaturas. Em 1993, foi eleito pela primeira vez prefeito de Curitiba, conquistando a vitória no primeiro turno. Ele atuou como deputado federal de 1997 a 1998 e foi ministro do Esporte e Turismo no segundo governo de Fernando Henrique Cardoso, entre 1999 e 2000. Contudo, deixou o ministério em meio a uma investigação sobre a “máfia dos bingos”, da qual foi posteriormente inocentado.
Após um período de reclusão política e derrotas eleitorais, Greca se filiou ao MDB, sob a liderança de Roberto Requião. Durante esse intervalo, enfrentou dificuldades nas urnas, não conseguindo se reeleger deputado estadual em 2006, e também não obteve sucesso nas eleições para a Prefeitura de Curitiba em 2012 e para a Câmara em 2014. Apesar das derrotas, manteve-se ativo na política, sendo nomeado por Requião para a Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) após sua derrota em 2006.
Greca retornou à Prefeitura de Curitiba em 2016, após duas décadas de seu primeiro mandato, e foi reeleito em 2020, obtendo quase 60% dos votos válidos. Ele se tornou o único político a governar a capital paranaense por três mandatos eletivos. Ao final de seu mandato em 2024, assumiu a Secretaria de Desenvolvimento Sustentável no governo de Ratinho Júnior, cargo que deixou para se lançar na corrida pelo governo do estado.
As propostas de Greca para o Paraná incluem a ampliação da infraestrutura e o fortalecimento da capacidade logística do estado. Ele enfatiza a importância das cooperativas agroindustriais como pilares do desenvolvimento paranaense e defende a necessidade de agregar valor aos produtos do agronegócio, além de promover a industrialização regional.
Greca também destaca a expansão da estrutura portuária, propondo investimentos nos portos de Paranaguá e Pontal do Paraná, além de melhorias logísticas para o escoamento da produção agrícola e industrial. Na área ferroviária, ele planeja um novo contorno ferroviário para Curitiba, visando retirar parte do tráfego de cargas da área urbana.
No campo ambiental, Greca acredita que o Paraná pode se tornar um modelo internacional em sustentabilidade, propondo o Cadastro Ambiental Rural como uma ferramenta para aumentar a cobertura de Mata Atlântica no estado, atualmente em 37%, com potencial para chegar a 40% com a regularização das propriedades.
A candidatura de Rafael Greca se dá em um contexto em que o governador Ratinho Júnior, do PSD, deixa o cargo com altos índices de aprovação e busca transferir seu capital político para um sucessor. Apesar desse cenário, Greca afirma que manterá sua pré-candidatura até as convenções partidárias, demonstrando confiança em sua trajetória política e na indecisão do eleitorado em relação à sucessão estadual. Ele relativiza as pesquisas realizadas antes do início oficial da campanha, acreditando que a escolha dos eleitores será moldada ao longo do debate eleitoral.






