O candidato à Presidência da República em 2026, Renan Santos, representante do movimento Missão, manifestou-se de forma contundente contra os pedidos de proteção feitos pelo setor varejista brasileiro. Durante uma sabatina realizada pelo jornal O Globo nesta quinta-feira, 27 de outubro, Santos destacou a necessidade de implementar medidas estruturais que possam reduzir os custos de produção no Brasil, apontando ajustes fiscais, redução das taxas de juros e investimentos em infraestrutura como ações essenciais para superar os desafios econômicos do país.
Santos reconheceu os impactos da desindustrialização que o Brasil vem enfrentando há anos, bem como a crise que afeta o setor de varejo, mas afirmou que medidas pontuais de proteção a determinados segmentos não resolvem as causas profundas dos problemas econômicos. Segundo ele, a solução passa por atacar as questões estruturais da economia brasileira, que incluem questões fiscais e de competitividade, e não apenas por proteger setores específicos de forma isolada.
Durante a entrevista, o candidato citou como exemplo os pedidos feitos pelo setor varejista por proteção contra produtos importados, especialmente roupas e eletrônicos. Ele argumentou que essa discussão deveria ser substituída por um debate mais amplo, voltado para a implementação de políticas que melhorem as condições gerais para empresas e consumidores no país. Santos reforçou que ações isoladas, como a tentativa de proteger setores específicos, não promovem o desenvolvimento sustentável, e destacou a importância de medidas que possam gerar benefícios de forma mais ampla na economia.
Ele exemplificou sua posição ao afirmar que, em vez de se concentrar em proteções específicas, o Brasil deveria buscar um ajuste fiscal profundo, que pudesse contribuir para a redução dos juros, atualmente elevados, e assim ampliar a capacidade de investimento do Estado em áreas estratégicas, como infraestrutura de rodovias, energia e saneamento. Segundo Santos, esses investimentos têm potencial para diminuir os custos de produção das empresas, tornando o ambiente de negócios mais competitivo e estimulando o crescimento econômico.
Além disso, o candidato criticou o que chamou de postura individualista do empresariado brasileiro, que, na sua visão, tende a focar apenas nos interesses de setores específicos, sem considerar as necessidades de uma estratégia de desenvolvimento mais ampla e integrada. Ele afirmou que essa postura impede a implementação de políticas que possam beneficiar o país como um todo, prejudicando o avanço de uma agenda de reformas estruturais.
Por fim, Santos abordou o impacto das medidas de proteção aos produtos nacionais na capacidade de consumo da população. Ele destacou que a alta dos preços de roupas e eletrônicos importados, especialmente os chineses, tem dificultado o acesso de muitos brasileiros a alternativas mais baratas no mercado internacional. Segundo ele, a baixa capacidade de compra do consumidor brasileiro é agravada por uma economia que, por fatores diversos, tem depreciado seu poder de compra, dificultando a aquisição de bens essenciais e de consumo cotidiano, como roupas. Essa situação, na visão do candidato, evidencia a necessidade de reformas que promovam maior competitividade e redução de custos, ao invés de medidas protecionistas que podem limitar as opções do consumidor.








