O líder do Partido Liberal (PL) na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), divulgou um vídeo nas redes sociais neste sábado (4) para rebater as acusações feitas pela Polícia Federal no âmbito da Operação Galho Fraco II. O parlamentar negou qualquer irregularidade envolvendo o uso da cota parlamentar e a venda de um imóvel, além de afirmar que é alvo de perseguição política desde que assumiu a liderança da maior bancada de oposição na Câmara.
Segundo Sóstenes, as investigações contra ele começaram após sua escolha para comandar o PL na Câmara dos Deputados: “Desde que foi anunciado que seria o novo líder do Partido Liberal, o maior partido de oposição na Câmara dos Deputados, iniciou-se uma série de perseguições contra o nosso mandato e a minha pessoa”, afirmou.
A principal linha de defesa do deputado diz respeito aos R$ 470 mil apreendidos pela Polícia Federal durante as investigações. Sóstenes afirmou que o dinheiro é resultado da venda de um imóvel adquirido em 2023 e declarado à Receita Federal. Segundo ele, o apartamento foi colocado à venda em março de 2025 por R$ 690 mil, mas acabou sendo negociado por R$ 500 mil em dinheiro, após receber apenas uma proposta de compra.
O parlamentar disse que o comprador tinha capacidade financeira para realizar o pagamento em espécie e que a escritura foi registrada em cartório conforme determina a legislação: “Infelizmente, eu só consegui uma oferta abaixo do preço que estava pedindo. O comprador ofereceu R$ 500 mil para pagar em espécie. Fechamos o negócio e foi feito o devido registro em cartório”, declarou.
A Polícia Federal, no entanto, investiga a hipótese de que a escritura tenha sido utilizada para dar aparência de legalidade à origem do dinheiro apreendido. Segundo os investigadores, o documento foi registrado após a apreensão dos valores e não foram identificadas movimentações bancárias compatíveis com a negociação.
Sóstenes também negou qualquer vínculo com os demais investigados na terceira fase da Operação Galho Fraco II. Segundo ele, conhece apenas o comprador do imóvel e afirma nunca ter mantido contato com os advogados e empresários que também foram alvo de mandados de busca e apreensão: “Nunca estive com essas pessoas, não tenho o telefone dessas pessoas. Vi agora pela imprensa que alguns são advogados. Não as conheço”, disse.
O deputado questionou ainda a linha de investigação da PF ao afirmar que eventuais movimentações financeiras realizadas meses antes da venda do imóvel não podem ser automaticamente relacionadas ao pagamento recebido por ele. O parlamentar também voltou a negar irregularidades na utilização da verba de gabinete destinada ao aluguel de veículos.
Segundo Sóstenes, o carro investigado sempre esteve efetivamente em uso durante o exercício do mandato e apresentou como provas um boletim de ocorrência referente a um assalto envolvendo o veículo e registros de um acidente ocorrido durante uma viagem entre Minas Gerais e Brasília. Na avaliação do deputado, esses documentos demonstram que não houve desvio de recursos públicos.
Ao longo do vídeo, Sóstenes criticou reportagens que associaram seu nome aos demais investigados e afirmou que parte da cobertura da imprensa contribuiu para disseminar informações falsas sobre o caso. O líder do PL disse ainda que pretende combater judicialmente o que classificou como campanhas de difamação.
Ao final da manifestação, Sóstenes fez um apelo ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso. O deputado pediu celeridade na investigação e solicitou a devolução dos recursos apreendidos: “Ministro Flávio Dino, acelere toda a investigação, por favor. Devolva esse recurso, que é recurso lícito, legal e da minha família”, afirmou.
A Operação Galho Fraco II investiga suspeitas de desvio de recursos de cotas parlamentares por meio de empresas de fachada. A Polícia Federal apura se documentos relacionados à venda do imóvel foram utilizados para justificar a origem do dinheiro apreendido durante as diligências. Até o momento, a investigação segue em andamento e não há decisão judicial sobre o mérito das acusações.







