A cidade de Belo Horizonte registrou nesta segunda-feira (10) uma das menores umidades relativas do ar já observadas na sua história, atingindo o índice alarmante de 16%. Este valor é comparável ao que se encontra no deserto do Saara, na região Norte da África, onde a umidade varia entre 14% e 20%. A situação reforça a necessidade de atenção à saúde, uma vez que a Organização Mundial de Saúde (OMS) considera como situação de alerta quando a umidade relativa do ar fica abaixo de 30%. O índice de 16% preocupa especialmente pelo potencial de efeitos adversos à saúde da população, como problemas respiratórios, ressecamento da pele e agravamento de condições preexistentes.
A Defesa Civil de Belo Horizonte, por meio da Prefeitura da capital, divulgou que, nos últimos anos, a cidade já enfrentou períodos de umidade ainda mais baixa. Entre os registros mais críticos estão índices de 9%, ocorridos em 13 de agosto de 2024 na Regional Venda Nova e em 19 de julho de 2021 na Regional Centro-Sul. Além disso, em 10 de setembro de 2025, a Regional Barreiro também marcou 11% de umidade. Esses dados demonstram que, embora o valor de 16% seja extremamente preocupante, ele não é um recorde absoluto na história recente da cidade, que já enfrentou condições de seca mais severas.
Paralelamente ao cenário de umidade extremamente baixa, as temperaturas em Belo Horizonte também atingiram níveis elevados para o período do inverno. Nesta segunda-feira, a temperatura máxima registrada na Regional Venda Nova foi de 34,5°C às 13h45, tornando-se a terceira maior temperatura do ano na cidade. Para se ter uma noção da intensidade do calor, o dia mais quente de 2026 até o momento foi 1º de janeiro, quando os termômetros marcaram 34,8°C. No domingo anterior, a cidade também registrou uma temperatura de 34,7°C na mesma região, o que configura uma sequência de dias com temperaturas incomuns para o inverno na capital mineira.
O calor intenso e o clima extremamente seco são atribuídos à atuação de uma área de alta pressão atmosférica que predomina sobre a região Central do Brasil. Esse sistema atmosférico impede a formação de nuvens de chuva e dificulta a chegada de frentes frias, contribuindo para a manutenção de dias quentes e secos em Belo Horizonte. A persistência dessas condições climáticas favorece o agravamento da situação de seca, além de aumentar os riscos de incêndios e de problemas de saúde pública relacionados à baixa umidade do ar.
A situação de estiagem prolongada reforça a necessidade de medidas de prevenção e de cuidados com a saúde, especialmente para grupos mais vulneráveis, como idosos, crianças e pessoas com doenças respiratórias. Autoridades de saúde recomendam hidratação constante, uso de umidificadores e evitar atividades ao ar livre nos horários de maior calor. A expectativa é que, com a atuação de sistemas de alta pressão, a tendência de dias secos e quentes continue nos próximos dias, mantendo Belo Horizonte sob alerta para os efeitos do clima extremo.









