Uma pesquisa realizada na Universidade de Ciências Aplicadas de Amsterdã, nos Países Baixos, e publicada na revista The American Journal of Clinical Nutrition, revelou que dietas vegetarianas, quando associadas à prática regular de musculação e à ingestão adequada de proteínas, podem promover o aumento de massa muscular em adultos com 55 anos ou mais. Apesar de ambos os grupos estudados apresentarem ganhos musculares, os resultados indicam que os participantes que consumiam uma alimentação com carne tiveram um aumento médio maior na massa magra, especialmente nos braços e nas pernas.
O estudo envolveu 108 adultos classificados como relativamente saudáveis, com alta escolaridade e predominantemente de etnia branca, que foram divididos aleatoriamente em dois grupos alimentares. Um grupo seguiu uma dieta vegetariana que permitia o consumo de ovos e laticínios, mas excluía carnes e peixes, enquanto o outro adotou uma dieta onívora, incluindo alimentos de origem vegetal e animal. Durante um período de 12 semanas, ambos os grupos praticaram musculação três vezes por semana e receberam orientações para consumir pelo menos um grama e dois décimos de proteína por quilo de peso corporal diariamente. Os alimentos utilizados na dieta foram escolhidos pelos próprios participantes, seguindo as recomendações fornecidas pelos pesquisadores.
Ao final do estudo, 96 participantes concluíram a intervenção, e os principais resultados indicaram melhorias na composição corporal em ambos os grupos. No entanto, a quantidade de proteína consumida pelos participantes do grupo onívoro foi maior, o que pode ter influenciado o maior ganho de massa muscular observado nesses indivíduos. Os pesquisadores ressaltam que uma alimentação predominantemente vegetal pode apoiar o desenvolvimento muscular, desde que seja suficiente em proteínas e acompanhada de treino adequado.
Além do estudo principal, o artigo também faz referência a diversas dietas reconhecidas por seus benefícios à saúde, incluindo a Dieta DASH, que visa combater hipertensão e reduzir o consumo de sódio; a Dieta Mediterrânea, tradicional na Itália, Grécia e Espanha, que enfatiza alimentos frescos, azeite, peixe e vinho moderado; e a Dieta Flexitariana, que propõe reduzir o consumo de carne em até 70%, substituindo-a por vegetais, sementes, frutas e cereais, com acompanhamento de profissionais de nutrição para garantir a ingestão de vitamina B12, presente em alimentos de origem animal. Ainda são mencionadas a Dieta MIND, voltada à proteção do cérebro contra doenças como Alzheimer, e a Dieta TLC, criada para reduzir o colesterol, além da Dieta Nórdica, baseada na culinária dos países nórdicos, e a Dieta Volumétrica, que busca diminuir a densidade calórica das refeições mantendo o volume de alimentos.
O estudo destaca que, apesar de ambos os grupos terem apresentado ganho de massa muscular, a diferença na quantidade de proteína ingerida é um fator relevante na obtenção de resultados. Os autores reforçam que uma alimentação de base vegetal pode ser eficaz para melhorias musculares, desde que seja bem planejada e acompanhada de treino adequado. Contudo, ressaltam que a amostra da pesquisa, composta principalmente por indivíduos brancos, com bom estado de saúde e elevado nível de escolaridade, limita a generalização dos resultados para populações mais diversas.








