Pesquisadores do Reino Unido e da Bélgica descobriram que certas bactérias presentes na língua podem influenciar a rapidez com que uma pessoa processa informações. O estudo, divulgado na última segunda-feira, dia 5 de outubro, na revista científica PLOS One, analisou a relação entre microrganismos bucais e o desempenho cognitivo de 60 adultos saudáveis, divididos entre os países e faixas etárias distintas.
A investigação envolveu a participação de 30 indivíduos de cada país, sendo 15 adultos jovens e 15 adultos mais velhos, todos sem histórico de doenças ou hábitos prejudiciais como o tabagismo. Antes dos testes, os participantes passaram por avaliações iniciais de suas funções cerebrais. Em seguida, realizaram uma série de 10 tarefas que mediam habilidades como memória, atenção e reconhecimento de emoções, com os pesquisadores registrando tanto o número de acertos quanto o tempo gasto para responder.
Para aprofundar a análise, os cientistas coletaram amostras de saliva, sangue e da língua de cada participante, buscando identificar as bactérias presentes na boca e correlacioná-las com o desempenho nas tarefas. Entre os microrganismos estudados, a bactéria Prevotella histicola destacou-se por sua associação com respostas mais rápidas às avaliações cognitivas. Em ambos os países, uma maior quantidade do microrganismo na língua esteve relacionada ao desempenho mais eficiente, embora os resultados tenham variado de acordo com o tipo de tarefa realizada em cada grupo.
Além da Prevotella histicola, a bactéria Haemophilus parainfluenzae também apresentou relação com o desempenho cognitivo, porém, com padrões diferentes entre os dois países. Na Bélgica, uma maior presença dessa bactéria foi vinculada a respostas mais rápidas em tarefas de reconhecimento de emoções, além de melhor desempenho em atividades de aprendizagem visual e maior quantidade de acertos em testes de memória. Por outro lado, no Reino Unido, a mesma bactéria esteve associada a respostas mais rápidas em algumas tarefas específicas, mas também a respostas mais lentas em atividades de reconhecimento emocional. Essas diferenças não indicam comprometimento das funções cerebrais, mas sugerem que a composição bacteriana na boca pode influenciar o processamento cognitivo de maneiras distintas.
O estudo também aborda o papel de algumas bactérias bucais na produção de óxido nítrico, uma molécula que dilata os vasos sanguíneos e facilita a circulação sanguínea cerebral. Esse processo começa com o nitrato, presente em alimentos como a beterraba, que após a ingestão chega à saliva. Algumas bactérias presentes na boca convertem esse nitrato em nitrito, contribuindo para a produção de óxido nítrico. Essa participação microbiana no metabolismo do nitrato é objeto de investigação, pois pode ter implicações no funcionamento cerebral, além de reforçar a importância da saúde bucal para o bem-estar geral e o desempenho cognitivo.








