Um estudo realizado por pesquisadores do Harvard Pilgrim Health Care Institute, nos Estados Unidos, indica que o ambiente em que mulheres residem pode ter um impacto significativo na saúde do coração ao longo de décadas. A pesquisa, publicada na revista Circulation: Population Health and Outcomes, nesta sexta-feira (17 de julho), revela que mulheres que vivem em bairros com maior vulnerabilidade social apresentam pior saúde cardiovascular e um declínio mais acelerado à medida que se aproximam da menopausa.
A pesquisa acompanhou aproximadamente 1.200 mulheres durante mais de 20 anos, desde a gravidez até a meia-idade. Os pesquisadores realizaram avaliações da saúde cardiovascular em cinco momentos distintos ao longo desse período, analisando fatores como pressão arterial, níveis de colesterol, hábitos alimentares, qualidade do sono, atividade física e outros indicadores relacionados à saúde do coração.
Os resultados mostraram que as mulheres residentes em áreas de maior vulnerabilidade social apresentaram pontuações de saúde cardiovascular que variavam de 6 a 10 pontos a menos em comparação àquelas que habitavam regiões com melhores condições sociais. Essa disparidade já era evidente cerca de três anos após o início do acompanhamento e se manteve ao longo de mais de duas décadas.
Além disso, as participantes que viviam em bairros vulneráveis mostraram uma piora mais acentuada na saúde cardiovascular no período que antecede a menopausa, uma fase em que o risco de doenças cardíacas tende a aumentar naturalmente. Os pesquisadores também identificaram uma correlação entre fatores socioeconômicos e os resultados obtidos. Mulheres com menor renda, menor nível de escolaridade e mulheres negras não hispânicas apresentaram, em média, indicadores de saúde cardiovascular menos favoráveis durante o acompanhamento.
Mesmo considerando a renda e a escolaridade, a localização do bairro continuou a estar associada à saúde do coração. As participantes que passaram anos vivendo em áreas socialmente vulneráveis mantiveram escores mais baixos ao longo do estudo, evidenciando a influência do ambiente nas condições de saúde.
As doenças cardiovasculares permanecem como uma das principais causas de morte entre mulheres. Os autores do estudo ressaltam que os resultados demonstram que a saúde do coração não é influenciada apenas por hábitos individuais, mas também pelas condições sociais e pelo ambiente em que as pessoas vivem.
A equipe de pesquisa sugere que a melhoria do acesso a alimentos saudáveis, a criação de espaços seguros para a prática de atividade física e a oferta de serviços de saúde de qualidade podem ser medidas eficazes para proteger a saúde cardiovascular das mulheres ao longo de suas vidas. As conclusões do estudo destacam a necessidade de políticas públicas que promovam a equidade em saúde, especialmente para populações em situações de vulnerabilidade social.









