A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) alertou nesta quinta-feira, 8 de outubro, que o estado pode enfrentar uma nova epidemia de dengue em 2027. O secretário Fábio Baccheretti destacou que as autoridades estão se preparando para um possível aumento expressivo de casos no próximo ano, levando em consideração o histórico de epidemias anteriores e as condições climáticas previstas, especialmente o impacto do fenômeno El Niño.
Segundo Baccheretti, Minas Gerais viveu sua pior epidemia de dengue até hoje em 2024, registrando mais de 1,6 milhão de casos e mais de mil óbitos. O secretário explicou que as arboviroses, que incluem dengue, chikungunya e zika, apresentam ciclos de epidemias de aproximadamente três anos. A última grande onda aconteceu em 2024, e, considerando o padrão de ciclos, há uma expectativa de que uma nova onda possa ocorrer em 2027. Ele reforçou que, apesar de todas as ações de controle, as condições climáticas de altas temperaturas e chuvas, agravadas pelo El Niño, aumentam o risco de novos surtos.
Baccheretti também ressaltou que, antes da pandemia de COVID-19, as epidemias de dengue geralmente ocorriam a cada três anos, o que reforça a preocupação com o próximo ciclo. A pandemia interrompeu temporariamente esse padrão, mas a previsão para 2027 é de um ano epidemiológico difícil, especialmente considerando o aumento das temperaturas e a propagação das chuvas, fatores que favorecem a reprodução do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue.
Embora a transmissão do vírus seja comum também para chikungunya e zika, o secretário destacou que a disseminação dessas doenças pode variar de acordo com a região do estado. No caso da dengue, a preocupação é que ela atinja toda a Minas Gerais, diferentemente da chikungunya, que tende a afetar regiões específicas, como o Norte, Triângulo Mineiro e Vale do Aço, em momentos distintos.
Para enfrentar o cenário, a Secretaria de Saúde de Minas Gerais vem implementando diversas medidas de prevenção e controle. Entre elas, estão a ampliação da vacinação contra a dengue, a utilização de mosquitos com a bactéria Wolbachia — que impede a transmissão dos vírus — e a disponibilização de uma biofábrica que produz esses mosquitos modificados. Baccheretti afirmou que a vacina contra a chikungunya já está sendo aplicada em algumas regiões e que a vacina contra a dengue também já foi disponibilizada para parte da população.
Além das ações de imunização, o órgão vem capacitando equipes de saúde em diferentes regiões e antecipando recursos financeiros para que os municípios possam reforçar suas estratégias de combate ao Aedes aegypti, especialmente na eliminação de criadouros. Baccheretti enfatizou que a eliminação de focos do mosquito dentro das residências é fundamental, já que entre 80% e 90% dos criadouros estão localizados em ambientes domésticos.
O secretário destacou ainda que, para o sucesso dessas ações, é necessário um esforço conjunto entre o poder público e a população. Os agentes de saúde estão realizando inspeções e utilizando tecnologia, como drones, para identificar e eliminar focos de reprodução do mosquito, como caixas d’água destampadas e locais com acúmulo de lixo. No entanto, ressaltou que a responsabilidade também é individual, reforçando a importância da conscientização e do cuidado de cada cidadão na prevenção da doença.








