A história do assassinato de Andrew Borden e sua esposa Abby, ocorrido em 4 de agosto de 1892 na cidade de Fall River, Massachusetts, ganha nova atenção com a estreia da quarta temporada da série “Monstro” na plataforma Netflix, que dedica seu foco ao caso de Lizzie Borden. Este episódio trágico, considerado um dos mais famosos da história criminal dos Estados Unidos, envolveu o homicídio de dois membros da mesma família com golpes de machado, em um crime que chocou a sociedade da época pela brutalidade e pelo fato de ter ocorrido durante o dia.
Naquele dia, Andrew Borden, de 69 anos, e sua esposa Abby, de 64 anos, foram encontrados mortos dentro da residência da família, atingidos por múltiplos golpes de machado. Os corpos foram descobertos por Lizzie Borden, filha de Andrew e madrasta de Abby, que tinha 32 anos na época. A jovem foi imediatamente apontada como principal suspeita, tendo sido presa uma semana após o crime. As investigações revelaram contradições nos relatos de Lizzie sobre seu paradeiro no momento do duplo homicídio, além de evidências como a busca por veneno na véspera do crime e a descoberta de uma cabeça de machadinha no porão da casa.
O julgamento de Lizzie Borden teve início em junho de 1893 e resultou em sua absolvição, após um processo marcado por debates acalorados. A acusação alegou que a arma encontrada no local poderia ter sido utilizada no assassinato e que Lizzie possuía força física suficiente para cometer o crime. Por outro lado, a defesa enfatizou a ausência de provas diretas e levantou dúvidas sobre a possibilidade de uma mulher, mesmo com força, realizar uma agressão tão violenta. Apesar de ter sido considerada inocente pelo tribunal, Lizzie carregou o estigma do caso por toda a vida, sendo alvo de comentários e especulações na sociedade.
A notoriedade do caso foi além do âmbito judicial, influenciando a cultura popular, com a publicação de livros, músicas, filmes e, posteriormente, séries de televisão. O episódio permanece como um dos mais emblemáticos da história criminal americana, agora retratado na produção criada por Ryan Murphy e Ian Brennan, que busca explorar os detalhes do crime e suas implicações familiares.
A relação entre Lizzie e seus familiares também foi marcada por tensões. Ela perdeu sua mãe biológica, Sarah Borden, aos dois anos de idade, e posteriormente conviveu com a madrasta Abby, com quem afirmou ter uma relação cordial, descrevendo-a como uma amiga próxima. No entanto, conflitos familiares relacionados ao patrimônio também marcaram a história. Em 1887, Lizzie teria se irritado ao saber que Andrew Borden havia comprado um imóvel para um parente de Abby, e teria declarado: “O que ele fez pelo povo dela, ele deveria fazer pelos próprios filhos”.
Segundo relatos, Lizzie encontrou o pai caído na sala após voltar do celeiro, tendo chamado a empregada Bridget Sullivan e alertado vizinhos e o médico da família, Seabury Bowen. Andrew foi declarado morto na hora, enquanto o corpo de Abby foi localizado no quarto do andar superior. Lizzie foi presa em 11 de agosto de 1892 e permaneceu na prisão por cerca de nove meses até o julgamento.
Após ser absolvida, Lizzie e sua irmã Emma adquiriram uma mansão em um bairro nobre de Fall River. Apesar de sua inocência reconhecida judicialmente, ela passou a ser evitada pela comunidade local, chegando a adotar o nome de Lizbeth. Em 1905, as irmãs se separaram após uma disputa e não voltaram a manter contato. Lizzie faleceu em 1º de junho de 1927, aos 66 anos, sendo sepultada no mesmo cemitério onde estão enterrados seu pai e sua madrasta. A história de Lizzie Borden permanece como um dos casos mais emblemáticos e discutidos do crime nos Estados Unidos, agora relembrada em uma produção televisiva que busca aprofundar os detalhes do episódio.







