A revista Variety publicou uma análise que indica que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial de 2026 poderia representar um risco à retomada e ao crescimento do setor audiovisual brasileiro. A reportagem, que aborda o contexto do Festival do Rio, relaciona o momento atual do cinema nacional às políticas públicas de incentivo e destaca críticas de profissionais do setor ao candidato.
Segundo a matéria, durante o Festival do Rio, ocorreram manifestações de apoio ao então candidato Luiz Inácio Lula da Silva, com profissionais do audiovisual defendendo a continuidade dos investimentos e dos mecanismos de fomento ao setor. A revista associa a recuperação do cinema brasileiro às políticas culturais implementadas pelo governo Lula, ressaltando exemplos de sucesso internacional, como o Oscar de melhor filme internacional conquistado por “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, em 2025, e os prêmios de melhor direção e melhor ator recebidos por “O Agente Secreto” na competição oficial do Festival de Cannes, também em 2025.
A reportagem contrasta esse cenário favorável com as dificuldades enfrentadas durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, que assumiu o cargo em 2019 e deixou o governo em 2022. De acordo com a publicação, o período foi marcado por cortes orçamentários e dificuldades de financiamento, o que enfraqueceu o apoio público ao cinema brasileiro. Essa redução no suporte estatal é apontada como um dos principais obstáculos ao desenvolvimento do setor audiovisual no país.
O governo Lula, que retomou o poder em 2023, anunciou medidas para fortalecer o setor, incluindo um investimento de R$ 1,6 bilhão destinado ao audiovisual, anunciado em junho de 2024. Além do aporte financeiro, a revista destaca incentivos fiscais, subsídios e cotas de tela que visam ampliar a presença de produções brasileiras nas salas de cinema, fortalecendo a competitividade internacional do cinema nacional.
No entanto, a reportagem traz declarações de profissionais do setor que manifestam preocupação com uma possível mudança de governo. O diretor Marcelo Gomes afirmou que uma alteração na administração pode colocar em risco as conquistas recentes do audiovisual brasileiro, ressaltando que o setor, reconhecido internacionalmente e premiado em várias ocasiões, pode sofrer retrocessos caso um governo que não valorize a cultura assuma o poder novamente.
A publicação reforça que, segundo especialistas ouvidos, a vitória de Lula no segundo turno das eleições seria a única alternativa capaz de garantir um futuro próspero ao cinema brasileiro. Por outro lado, há um temor de que a retomada das políticas de incentivo do governo Jair Bolsonaro possa ameaçar o avanço do setor.
A produtora Paula Cosenza foi categórica ao classificar uma eventual volta ao poder do grupo que governou o país entre 2019 e 2022 como uma “catástrofe”. Ela afirmou que o candidato de extrema direita questiona a legitimidade da criação artística, do conhecimento acadêmico, da ciência e do livre exercício da imprensa, colocando em risco os avanços democráticos e culturais conquistados nos últimos anos.








