O cineasta Walter Salles afirmou que a Democracia Corinthiana não deve ser tratada apenas como um episódio do passado e defendeu que os princípios do movimento continuem sendo discutidos no presente. A declaração foi feita durante a apresentação da série documental “Sócrates, Brasileiro”, produção que revisita a trajetória do ex-jogador Sócrates e relaciona sua história ao contexto político e social do Brasil da época.
Segundo Salles, a série acompanha a vida de Sócrates desde os primeiros passos no futebol, em Ribeirão Preto, até sua passagem pelo Corinthians e sua participação na Democracia Corinthiana. Para o diretor, esse percurso permite compreender não apenas como era o futebol brasileiro naquele período, mas também as características do país retratado pela produção.
“A série mergulha no passado do Sócrates e vê toda a trajetória desde o Botafogo de Ribeirão Preto, passando pelo Corinthians e por toda a Democracia Corinthiana. Tudo isso explica não somente como era o futebol naquela época, mas também como era o país naquela época”, afirmou o cineasta.
Salles contou que trabalhou durante quatro anos no projeto. Ele também destacou a experiência de conviver com pessoas diretamente ligadas ao movimento que marcou o Corinthians, entre elas Sócrates, Vladimir, Casagrande, conhecido como Casão, e Zé Maria. O diretor classificou esse contato como uma experiência única e disse que o trabalho desenvolvido ao longo dos anos ganhou significado especial durante a apresentação da série.
“Para quem teve a oportunidade de conviver não somente com Sócrates, mas com Vladimir, com o Casão, com o Zé Maria e com todos os jogadores da Democracia Corinthiana, foi uma experiência bastante única”, declarou. Em seguida, acrescentou que foram quatro anos de trabalho e que todo esse processo fazia sentido naquela noite de exibição.
Os dois primeiros episódios da produção foram exibidos na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. De acordo com a organização do evento, os capítulos ainda estavam em fase de finalização. A sessão contou com convidados ligados ao Corinthians e familiares de Sócrates. Raí, ex-jogador e irmão de Sócrates, também participou da apresentação ao público.
A série documental foi estruturada em cinco episódios. Os dois primeiros abordam a mudança da família de Sócrates do Pará, sua adolescência, o ingresso no futebol e na Faculdade de Medicina. A narrativa também acompanha a chegada do jogador ao Corinthians, em São Paulo, em 1977, além do período de adaptação ao clube e de sua participação na construção da Democracia Corinthiana.
Ao comentar a relevância do movimento nos dias atuais, Walter Salles afirmou que a experiência precisa ser revisitada e analisada a partir do presente. Para ele, a Democracia Corinthiana não deve ser simplesmente “conjugada no passado”, mas compreendida por sua capacidade de refletir desejos coletivos e de interferir na realidade por meio de propostas.
O cineasta também associou essa reflexão à defesa da liberdade e da democracia. Na avaliação de Salles, trata-se de uma luta duradoura, que precisa ser reavaliada periodicamente para continuar respondendo aos desafios e às demandas de cada momento.








