A jornalista Maria Cândida compartilhou, em entrevista ao podcast “Tantos Tempos”, os desafios que enfrentou ao tentar retornar ao mercado de televisão aos 43 anos, destacando episódios de etarismo, dificuldades financeiras e crises emocionais vivenciadas nesse período. Ela revelou que, ao buscar novas oportunidades na carreira, foi alvo de respostas que evidenciam a discriminação por idade, além de relatar o impacto de uma mudança abrupta na sua estabilidade econômica.
Maria Cândida explicou que, após anos dedicados à profissão, decidiu investir suas economias em projetos de reinserção no mercado televisivo, o que resultou na utilização de toda a reserva financeira acumulada ao longo de duas décadas de atuação. “Quando eu tentei voltar pro mercado, eu gastei todo o meu dinheiro. Em três anos, esvaziei a reserva que tinha construído em 20 anos de carreira”, afirmou. Ela destacou que essa experiência a fez compreender na prática os efeitos de uma mudança financeira drástica, descrevendo o momento como uma oscilação de status: “E aí que eu entendi o que é a queda financeira, o que é que você… um dia você é rei, ou uma rainha, e no outro, você é absolutamente nada”.
Além das dificuldades econômicas, Maria Cândida relatou que enfrentou respostas negativas de profissionais do setor ao buscar novas oportunidades. Segundo ela, alguns entrevistadores justificaram a recusa com comentários relacionados à sua idade, como: “Quando eu tentei voltar ao mercado, aos 43 anos, o que eu ouvia? ‘Ai, Maria, você é boa demais pra gente’. Eu falei: ‘Putz, mas sou boa demais, será que não tem um lugar pra eu me encaixar?’ ‘Você é cara demais’”, relatou. Ela também esclareceu que não chegou a discutir pretensões salariais durante essas conversas, afirmando que não tinha uma expectativa financeira específica na ocasião: “Eu não tinha… não tinha falado ‘eu quero ganhar um milhão, nem R$ 1,00’”.
Outro episódio que marcou sua trajetória, segundo Maria Cândida, foi uma pergunta considerada etarista feita por um executivo durante uma entrevista de emprego: “Você não acha que o seu tempo na televisão já passou?”, teria questionado o profissional. Para ela, esse tipo de questionamento reflete uma visão preconceituosa que ainda prevalece no mercado de trabalho, especialmente para profissionais mais experientes.
Apesar de todas as dificuldades, Maria Cândida destacou que o processo de enfrentamento e reflexão foi fundamental para sua evolução pessoal e profissional. Ela afirmou que, mesmo passando por crises de pânico e enfrentando dificuldades financeiras, essa fase foi determinante para repensar seus caminhos e prioridades. “E eu fui aos poucos amarrando tudo aquilo. E se eu não tivesse passado por essa crise de pânico, eu nunca teria tido essa experiência. Então foi a melhor coisa da minha vida, porque me colocou na base da base, eu entendi muita coisa psicologicamente e entendi para que caminho deveria ir”, concluiu.
A trajetória de Maria Cândida evidencia os obstáculos enfrentados por profissionais que tentam retornar ao mercado após uma certa idade, além de ilustrar os efeitos profundos do etarismo na vida emocional e financeira de indivíduos com carreira consolidada. Sua história reforça a necessidade de reflexão sobre as práticas discriminatórias no setor de comunicação e a importância de políticas que promovam a inclusão e o reconhecimento de profissionais de diferentes idades.









