Pesquisadores da Universidade de Kyoto, no Japão, publicaram na revista científica iScience, em 13 de outubro, um estudo que revela que a interação entre gatos e seus tutores humanos pode aumentar significativamente os níveis de ocitocina em ambos os lados. Conhecida como o “hormônio do amor”, a ocitocina desempenha um papel fundamental na formação de vínculos afetivos, sendo liberada durante contatos de afeto e proximidade emocional. A pesquisa representa a primeira investigação a medir os níveis de ocitocina tanto nos humanos quanto nos gatos durante suas interações, proporcionando novos insights sobre a relação emocional entre as espécies.
O estudo envolveu 19 tutores humanos de felinos e seus respectivos 29 gatos, sendo que os dados hormonais foram coletados de 24 animais, através de amostras de urina. Para garantir maior precisão, os pesquisadores calcularam a média das concentrações hormonais obtidas em três diferentes amostras de urina de cada participante. Além disso, os tutores responderam a questionários que avaliaram seus sentimentos e estados emocionais nas semanas anteriores às coletas, permitindo uma análise mais aprofundada do impacto emocional da convivência com os gatos.
Os resultados indicaram que o contato mais próximo e afetivo entre humanos e gatos está associado a um aumento nos níveis de ocitocina em ambos. Os dados também revelaram que os donos com maiores concentrações do hormônio relataram sentir-se menos deprimidos, mais calmos e menos ansiosos, além de apresentarem menor incidência de sentimentos negativos como raiva e confusão. Uma correlação importante observada pelos pesquisadores foi entre os níveis elevados de ocitocina nos gatos e a redução do cortisol, conhecido como o hormônio do estresse, nos tutores, sugerindo que a interação afetuosa pode contribuir para uma diminuição do estresse emocional em ambos.
Saho Takagi, autora principal do estudo, explicou em entrevista ao portal ScienceAlert que esse aumento de ocitocina ocorre provavelmente por meio do contato de carinho mútuo, que favorece a formação de vínculos afetivos duradouros. Contudo, os pesquisadores destacam que ainda não há uma compreensão definitiva sobre a causa exata dessa relação hormonal entre humanos e gatos. Uma hipótese levantada é que o ato de acariciar o animal possa estimular a liberação de ocitocina, fortalecendo o vínculo emocional.
Apesar do avanço na compreensão da relação entre humanos e gatos, o estudo aponta que há necessidade de investigações adicionais para esclarecer os mecanismos que levam ao aumento dos níveis hormonais durante essas interações. A descoberta reforça a importância do convívio afetivo com animais de estimação, não apenas para o bem-estar emocional dos tutores, mas também para o fortalecimento do vínculo afetivo, contribuindo para uma relação mais saudável e equilibrada entre ambos.









