O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), governador eleito de Minas Gerais, defendeu a adoção de “boicotes” contra a classe política como forma de pressionar parlamentares e cobrar mudanças nos privilégios concedidos a autoridades. Em um vídeo publicado nas redes sociais nesta quarta-feira (28), o senador afirmou que os políticos eleitos devem ser fiscalizados pela população e citou despesas relacionadas ao apartamento funcional que ocupa em Brasília.
Segundo Cleitinho, a cobrança deve atingir todos os representantes escolhidos pelo voto, independentemente de posição ideológica. No vídeo, ele afirmou que também deve ser responsabilizado por suas ações e decisões políticas. “Cobre seu político que foi eleito. Eu não fui eleito governador? Tem uma escolta me esperando ali, eu tenho que ser cobrado e o político que foi eleito tem que ser cobrado”, declarou.
O parlamentar fez a gravação no apartamento funcional disponibilizado aos senadores na capital federal. Ele disse que deixará o imóvel em dezembro e criticou a troca de móveis realizada antes de sua saída. De acordo com o senador, a geladeira do apartamento já havia sido substituída por um modelo que classificou como “maravilhoso”. Cleitinho afirmou que os custos da troca serão pagos pelos cidadãos e usou o episódio para defender uma reação mais ampla contra benefícios destinados à classe política.
“Vou sair daqui agora, gente, em dezembro. Sabe o que eles já fizeram? Estão trocando os móveis. Já trocaram a geladeira, uma geladeira maravilhosa, e isso quem vai pagar é você. Então, é hora de boicotar a classe política, os privilégios políticos”, disse.
Além dos gastos com imóveis funcionais e mobiliário, Cleitinho mencionou outros benefícios que, na avaliação dele, deveriam ser eliminados. Entre os exemplos citados estão os carros oficiais, o auxílio-paletó e os planos de saúde oferecidos a parlamentares. Para o senador, a discussão sobre essas vantagens poderia reunir eleitores de diferentes correntes políticas.
“Claro que você pode ser de direita, pode ser de esquerda. Eu sou de direita, mas vocês podem se unir para acabar com isso. Com esses privilégios que a classe política tem enquanto vocês brigam”, afirmou. A declaração foi apresentada como uma defesa de cobrança pública sobre os representantes eleitos e de redução de benefícios associados ao exercício do mandato.
As declarações ocorreram horas depois de o irmão do senador, o deputado federal eleito Gleidson Azevedo (Republicanos), se manifestar sobre campanhas de boicote promovidas por patrões contra funcionários após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais do último domingo (25).
Também por meio das redes sociais, Gleidson pediu que eleitores de direita respeitassem o resultado das urnas. O deputado eleito afirmou que não se deve responder a eventuais divergências políticas com retaliações e associou o apelo a princípios cristãos. “Não pague o mal com o mal, não confunda fazer justiça com vingança. Eu estou falando isso para você que é de direita, bate no peito e fala que é cristão”, declarou.
O tema das retaliações a eleitores de Lula também foi levado às autoridades em Minas Gerais. Na terça-feira (27), a deputada estadual Leninha (PT-MG) apresentou à Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) um pedido de investigação sobre casos de violência política e possíveis represálias contra apoiadores do presidente eleito.
Em nota à Itatiaia, a PCMG informou que recebeu o ofício encaminhado pela parlamentar e que “adotará as devidas providências investigativas, no âmbito de suas atribuições constitucionais e legais”.







