O deputado federal eleito Gleidson Azevedo (Republicanos-MG) pediu que comerciantes e eleitores de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) interrompam iniciativas de boicote contra empresários e eleitores do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em um vídeo publicado nesta quarta-feira (28), o parlamentar condenou a suspensão de doações e de serviços para pessoas identificadas como apoiadoras do petista e afirmou que atitudes de retaliação não devem ser adotadas por quem se declara cristão.
Na manifestação, Gleidson citou como exemplo a divulgação, em Divinópolis, cidade onde mora, de uma lista com empresários que teriam votado no PT. A relação era acompanhada de um pedido para que eleitores alinhados à direita deixassem de comprar desses comerciantes. Segundo o deputado eleito, o mesmo tipo de mobilização já havia ocorrido quatro anos atrás.
“Não pague o mal com mal, não confunda fazer justiça com vingança”, afirmou Gleidson. Ele também mencionou publicações feitas no Instagram por pessoas de direita que diziam não pretender mais doar cestas básicas a eleitores do PT. Para o parlamentar, a discordância política não deveria resultar na interrupção de ações de ajuda ou na perseguição a quem votou em outro candidato.
As listas citadas por Gleidson foram divulgadas nas redes sociais em diferentes cidades brasileiras. Os conteúdos identificavam comerciantes e profissionais liberais que declararam voto em Lula na eleição presidencial e orientavam apoiadores de Jair Bolsonaro a não contratar seus serviços ou realizar compras em seus estabelecimentos. O deputado eleito se posicionou contra esse tipo de iniciativa, embora tenha reconhecido a insatisfação de parte dos eleitores de direita com o resultado das urnas.
Gleidson é irmão gêmeo do governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG), e também irmão do deputado estadual reeleito Eduardo Azevedo (PL-MG). Os três são próximos de lideranças do bolsonarismo no estado. Durante a disputa presidencial, Gleidson, Cleitinho e Eduardo fizeram campanha para Flávio Bolsonaro nos dois turnos do pleito.
Apesar da proximidade política com o bolsonarismo, Cleitinho tem adotado um discurso de pacificação após as eleições. O governador eleito passou a defender uma “bandeira branca” entre bolsonaristas e petistas, em uma tentativa de reduzir a tensão entre os grupos que disputaram o pleito.
Na mesma linha, Gleidson disse que os eleitores precisam reconhecer que a eleição terminou e respeitar o resultado. Ele afirmou compreender a frustração de quem apoiava o candidato derrotado, mas sustentou que a convivência democrática exige humildade para aceitar que os adversários venceram e que existem pessoas com opiniões políticas diferentes.
Ao tratar das doações, o deputado eleito aconselhou os apoiadores de direita a manterem a ajuda a quem precisa. Para ele, essas ações devem ser acompanhadas da demonstração de que é possível prosperar, sustentar a própria família e, ao mesmo tempo, auxiliar outras pessoas. Gleidson defendeu que a direita e os cristãos apresentem seus valores por meio do “amor”, e não da perseguição ou da retaliação.
Embora tenha defendido a pacificação, Gleidson manteve as críticas ao PT e ao governo Lula. Ele afirmou que pretende atuar em Brasília contra o que considera injustiças cometidas pelo partido e que continuará defendendo suas posições políticas. Também declarou que a direita deve apresentar sua visão por meio daquilo que considera verdade, sem recorrer a mentiras ou perseguições contra adversários eleitorais.








