O Cruzeiro está na final da Libertadores Feminina pela primeira vez em sua história. As Cabulosas venceram o Olimpia, do Paraguai, por 1 a 0 nesta quarta-feira (28), no estádio Casa Blanca, em Quito, no Equador, pela semifinal da competição. O gol da classificação foi marcado por Marília. Na decisão, marcada para o próximo sábado (28), às 21h, novamente no Casa Blanca, a equipe brasileira enfrentará o Corinthians.
A classificação representa um feito histórico para o futebol feminino do Cruzeiro e também para o futebol brasileiro. Depois de 14 anos, um clube brasileiro de fora do estado de São Paulo volta a alcançar a final da Libertadores Feminina. A última equipe a conseguir esse resultado havia sido o Foz Cataratas, do Paraná, em 2012. O time, que já não existe, chegou à decisão daquela edição, mas acabou derrotado pelo Colo-Colo, do Chile.
O resultado contra o Olimpia teve um peso ainda maior porque o Cruzeiro havia vencido o mesmo adversário por 3 a 0 na fase de grupos. A expectativa era de que as Cabulosas encontrassem novamente um cenário favorável, mas o time paraguaio apresentou uma postura mais competitiva desde o início da semifinal e dificultou a atuação da equipe celeste.
Nos primeiros 20 minutos, o Olimpia foi mais intenso, disputou cada bola, aproveitou os rebotes e acelerou o ritmo da partida. Com dificuldade para sair jogando desde a defesa, o Cruzeiro recorreu com frequência aos lançamentos longos, que não alcançavam as atacantes Byanca Brasil, Capelinha e Gabi Rodríguez. A equipe brasileira atuou em um ritmo abaixo do apresentado pelo adversário durante boa parte da etapa inicial.
A partida começou a mudar a partir dos 20 minutos, quando o Cruzeiro passou a manter a bola no chão e também se beneficiou do desgaste físico do Olimpia. Mesmo conseguindo avançar mais no campo, porém, as Cabulosas não transformaram a melhora na posse em muitas oportunidades claras. A principal chance surgiu em um cruzamento preciso de Gabi para Byanca Brasil, que cabeceou para fora.
Na volta do intervalo, o Cruzeiro adotou uma postura mais agressiva e passou a ocupar com maior frequência o campo de ataque. A mudança resultou no gol da classificação. Byanca Brasil cobrou uma falta que bateu na trave, e Marília apareceu para aproveitar o rebote e colocar as Cabulosas em vantagem.
Depois de abrir o placar, o time mineiro não conseguiu ampliar a pressão. Embora tenha mantido a posse de bola, o Cruzeiro encontrou dificuldades para ameaçar a goleira paraguaia. Os lados do campo, uma das principais alternativas ofensivas da equipe, foram bem marcados pelo Olimpia, que conseguiu limitar a criação das jogadas.
O time paraguaio, por sua vez, também teve pouca inspiração no ataque e encontrou uma defesa cruzeirense bem organizada. Nos minutos finais, entretanto, as Cabulosas precisaram contar com uma intervenção decisiva da goleira Camila, que fez uma defesa considerada milagrosa em uma cabeçada de Casco. O lance ajudou a garantir a vitória por 1 a 0 e a classificação inédita.
Final será contra o Corinthians
O adversário do Cruzeiro na decisão será o Corinthians, que venceu o Independiente Santa Fé, da Colômbia, por 2 a 1 na outra semifinal. A partida também será uma oportunidade de revanche para as Cabulosas diante de um rival que tem levado vantagem nos confrontos recentes.
Nos últimos três mata-matas entre as equipes, o Corinthians saiu vencedor. Entre os duelos, estão a final do Campeonato Brasileiro Feminino de 2025 e as oitavas de final da edição de 2026. No retrospecto geral, as paulistas também dominam: em 16 jogos, foram 12 vitórias do Corinthians, duas do Cruzeiro e dois empates.
A decisão da Libertadores Feminina, portanto, reunirá o Cruzeiro em sua primeira final continental e um adversário que historicamente tem sido um dos principais obstáculos da equipe. Para as Cabulosas, o confronto valerá o título e a possibilidade de superar o retrospecto negativo diante do Corinthians.









