O Brasil voltará a ter três mulheres no comando de unidades da Federação após 20 anos. Das 27 disputas para governos estaduais e do Distrito Federal realizadas nas eleições de outubro de 2026, apenas três candidatas foram eleitas. Raquel Lyra (PSD) foi reeleita em Pernambuco ainda no primeiro turno. No segundo turno, Celina Leão (PP) venceu novamente no Distrito Federal, enquanto Mailza Assis (PP) foi reeleita no Acre.
Embora o resultado represente um avanço em relação ao cenário de 2022, a participação feminina no comando dos estados continua reduzida. O número de três governadoras eleitas em 2026 repete o registrado em 2006, quando Ana Júlia (PT), no Pará; Wilma de Faria (PSB), no Rio Grande do Norte; e Yeda Crusius (PSDB), no Rio Grande do Sul, chegaram ao governo de seus estados.
A comparação com eleições anteriores mostra que a presença das mulheres na política estadual ainda ocorre de forma pontual. Mesmo com a reeleição de três governadoras, a maioria das administrações estaduais continua sob o comando de homens. O resultado também evidencia que a ampliação da representação feminina nas disputas eleitorais não se traduz, na mesma proporção, em maior presença no Poder Executivo dos estados.
A participação feminina é menor no Sudeste
Na Região Sudeste, a presença de mulheres no comando dos governos estaduais é ainda mais limitada. Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo nunca elegeram uma governadora. O Rio de Janeiro é a única exceção parcial entre os estados da região, mas também registra apenas duas mulheres no cargo ao longo de sua história.
Benedita da Silva (PT) governou o Rio de Janeiro durante o ano de 2002, após a renúncia de Antony Garotinho, então filiado ao PSB, que deixou o cargo para disputar a Presidência da República. No período seguinte, Rosinha Garotinho, também então no PSB e esposa de Antony Garotinho, tornou-se a única mulher eleita governadora do estado. Ela administrou o Rio de Janeiro entre 2003 e 2006.
Minas Gerais nunca teve uma governadora
Em Minas Gerais, além de nenhuma mulher ter sido eleita para o governo estadual, o cargo de vice-governadora foi ocupado por apenas uma mulher. Júnia Marise, então filiada ao PMDB, exerceu a função entre 1987 e 1990, durante a administração de Newton Cardoso.
A baixa presença feminina também aparece na representação mineira no Senado. Júnia Marise foi a primeira mulher eleita para a Câmara Alta do Congresso Nacional pelo estado, em 1990, depois de décadas de predominância masculina na bancada mineira.
Posteriormente, Regina Assunção (PTB), suplente de Arlindo Porto, também do PTB, exerceu o mandato de senadora entre 1996 e 1998. Ela assumiu a cadeira enquanto o titular ocupava o cargo de ministro no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
Em 2026, quase 30 anos depois, Minas Gerais voltou a eleger uma mulher para o Senado. A ex-prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), foi escolhida para representar o estado na Casa, retomando a presença feminina mineira entre as senadoras eleitas.
Mulheres ainda são minoria no comando de instituições mineiras
A participação feminina também é quase inexistente na direção dos principais órgãos públicos de Minas Gerais. A Assembleia Legislativa, o Tribunal de Justiça e o Ministério Público do estado nunca tiveram mulheres no comando, segundo o histórico apresentado.
As exceções são a Defensoria Pública e o Tribunal de Contas, instituições que já tiveram mulheres à frente. O cenário reforça que, apesar de avanços pontuais nas eleições e em alguns órgãos públicos, a presença feminina nos espaços de liderança política e institucional de Minas Gerais permanece restrita.









