O governo eleito de Cleitinho Azevedo (Republicanos) em Minas Gerais começa a ganhar forma com a aproximação da posse, marcada para 6 de janeiro. Na última semana, o governador eleito sinalizou que pretende construir uma frente ampla para administrar o estado, com a participação de nomes de diferentes correntes partidárias no primeiro escalão.
Ao lado do vice-governador eleito, Luiz Eduardo Falcão (Republicanos), Cleitinho afirmou durante a campanha que montaria uma equipe técnica para enfrentar os principais desafios de Minas Gerais. Entre os problemas citados estão a dívida de aproximadamente R$ 180 bilhões com a União e as dificuldades financeiras enfrentadas pelo governo estadual.
Em entrevista à Itatiaia após o primeiro turno, Cleitinho destacou que chegou à eleição sem firmar “acordo ou conchavo” com grupos políticos. Segundo ele, essa condição permitiria iniciar o mandato com maior independência para escolher os integrantes da administração. O governador eleito, porém, reconheceu a necessidade de formar uma base política para garantir governabilidade.
“Vou começar um mandato em que eu possa escolher as pessoas que eu quiser. Claro, preciso ter governabilidade, e por isso os partidos irão me procurar para a gente poder compor”, declarou na ocasião.
Área econômica deve ser concentrada em uma supersecretaria
Um dos nomes já confirmados para a próxima gestão é o do economista Thiago Toscano. Ex-presidente da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemig) e da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemge), ele deverá comandar uma estrutura semelhante a uma “supersecretaria”. A proposta é reunir, sob uma mesma coordenação, todas as pastas relacionadas à área econômica do governo.
A escolha ocorre em um momento em que o estado enfrenta restrições de caixa e uma dívida estimada em R$ 180 bilhões com a União. A concentração das áreas econômicas deve fazer parte do desenho administrativo planejado pelo governador eleito, que afirma buscar uma equipe técnica para lidar com esses desafios.
Cássio Soares é cotado para a articulação política
Na articulação política, o deputado estadual Cássio Soares, presidente do PSD em Minas Gerais, é cotado para assumir a Secretaria de Estado de Governo ou a Casa Civil. O parlamentar recebeu mais de 100 mil votos para deputado federal nas eleições de 2026 e deverá exercer uma função estratégica na relação do Executivo com as demais instituições.
Entre as atribuições previstas está a condução do diálogo do governo com a Assembleia Legislativa de Minas Gerais, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG), o Ministério Público e outras entidades partidárias e institucionais.
Otto Levy foi convidado para comandar a Cemig
Outro posto considerado definido é a presidência da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). Cleitinho convidou o ex-secretário de Planejamento e Gestão Otto Levy para assumir o cargo de CEO da estatal. À coluna Poder em Minas, Levy indicou que deve aceitar o convite.
A nomeação, no entanto, ainda depende de uma etapa formal. Por ser uma empresa de capital misto, com ações negociadas na B3, a escolha precisa ser aprovada pelo Conselho de Administração da Cemig.
Ex-adversários aparecem entre os cotados
Também estão entre os nomes cogitados para integrar o novo governo o ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte Gabriel Azevedo (MDB), o presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe (PL), e o ex-prefeito de Betim e deputado estadual eleito Vittorio Medioli (PL). Os três foram adversários de Cleitinho nas eleições.
Gabriel Azevedo participa da equipe de transição na área da educação, secretaria que poderá assumir a partir de janeiro. Cleitinho, porém, já manifestou o desejo de colocar uma servidora de carreira no comando da pasta, considerada uma das principais da Cidade Administrativa.
Medioli também integra a equipe de transição e afirmou à Itatiaia que foi convidado para comandar a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag). Flávio Roscoe, por sua vez, confirmou que recebeu um convite para participar do governo, mas havia negado a possibilidade diante da perspectiva de assumir um ministério antes da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Reforma administrativa é avaliada para reduzir despesas
Além da montagem do secretariado, a futura administração poderá promover uma reforma administrativa no próximo ano. A medida teria como objetivo reduzir despesas e “enxugar a máquina pública”, sem comprometer o funcionamento dos serviços oferecidos à população.
Luiz Eduardo Falcão afirmou que a equipe avalia diferentes caminhos para reorganizar o governo. Segundo o vice-governador eleito, o estado também precisará ampliar a receita por meio da atração de investimentos, combinada com a redução de custos administrativos.
“Tem alguns caminhos para que isso seja feito, uma das respostas é uma reforma administrativa. Nós precisamos aumentar a receita do estado, como que se faz isso? Atraindo mais investimentos, enxugando a máquina, não necessariamente sufocando e sacrificando serviços”, afirmou.








