O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira (3), após o início das eleições de meio de mandato no país, que pretende encerrar o acordo de cooperação em segurança com Israel que prevê o repasse anual de US$ 3,8 bilhões. A decisão ocorre em meio ao avanço de críticas de integrantes do Partido Democrata aos gastos norte-americanos com guerras no Oriente Médio e à defesa de que os recursos sejam direcionados para áreas como saúde e educação.
O fim do financiamento a Israel também se tornou uma das pautas da campanha de uma nova geração de democratas que disputa vagas no Senado. Entre os nomes citados estão Abdul El-Sayed, líder nas pesquisas no Michigan, e James Talarico, apontado como favorito para interromper 30 anos de domínio republicano no Texas.
Em entrevista ao programa “Fox and Friends”, Trump afirmou que Israel continuará recebendo apoio dos Estados Unidos caso necessite, mas argumentou que o país não depende mais do financiamento anual previsto no acordo. “Vamos ajudar Israel se eles precisarem. Israel é o nosso número um, damos a eles mais do que a qualquer outro país, e eles não precisam mais disso. Se precisassem, eu daria para manter”, declarou o presidente.
O acordo entrou em vigor em 2019, mas foi assinado durante o governo do ex-presidente Barack Obama. Atualmente, Israel utiliza os recursos para adquirir armamentos que, pelas regras do entendimento, devem ser fabricados nos Estados Unidos. Mesmo com o encerramento do financiamento, o país ainda poderá comprar equipamentos militares norte-americanos, desde que utilize recursos próprios para realizar essas aquisições.
Segundo Trump, a decisão foi motivada também pelo uso político que democratas estariam fazendo do repasse destinado a Israel. O presidente afirmou que o valor anual, frequentemente arredondado para US$ 4 bilhões, passou a ser apresentado pela esquerda como um símbolo de injustiça. “A esquerda usa esse pagamento de US$ 4 bilhões como um símbolo de injustiça, não podemos permitir que isso aconteça. Por que deveríamos continuar suportando ataques de pessoas como El-Sayed se eles [Israel] não precisam mais disso?”, questionou.
O anúncio foi feito em um momento de disputa pelo controle do Congresso dos Estados Unidos. As pesquisas indicam vantagem dos democratas na busca pela maioria das cadeiras da Câmara e do Senado. Se esse cenário se confirmar, Trump poderá perder a governabilidade e enfrentar dois anos de oposição no Legislativo para aprovar seus projetos.
Uma eventual derrota republicana nas duas Casas também poderia abrir espaço para processos de impeachment contra o presidente. Estão em disputa 35 das 100 cadeiras do Senado, além de todas as 435 vagas da Câmara dos Deputados.
De acordo com o agregador de pesquisas PollsterGraph, atualizado pela última vez no domingo (1º), 52,7% dos eleitores demonstravam intenção de votar em candidatos democratas, enquanto 43,7% indicavam preferência pelos republicanos. Os números ajudam a dimensionar a relevância da eleição para o futuro da administração Trump e para a condução das políticas de segurança e financiamento externo dos Estados Unidos.









