Um acampamento de ativistas que defendiam o direito à moradia foi desmontado na madrugada desta terça-feira (3), na praça Portal do Sol, uma das áreas centrais de Madri, na Espanha. O grupo permanecia no local havia mais de cinco semanas. Organizadores do movimento classificaram a operação como uma “intervenção policial violenta”, enquanto as autoridades locais afirmaram que a retirada ocorreu sem distúrbios ou episódios de violência.
Ao todo, 334 pessoas foram retiradas da praça durante a ação. Duas delas foram detidas sob suspeita de desobediência e resistência. Na manhã desta terça-feira, parte da Portal do Sol continuava isolada pelas forças de segurança, enquanto equipes de limpeza trabalhavam na remoção dos materiais deixados no local.
A operação provocou versões divergentes entre os organizadores do protesto e as autoridades responsáveis pela retirada. Segundo os ativistas, algumas pessoas que haviam aderido à mobilização ficaram feridas em consequência de golpes e do uso de gás de pimenta. A denúncia foi apresentada pelos organizadores após o desmantelamento do acampamento.
Já as autoridades locais declararam que a intervenção ocorreu sem confrontos violentos. A ação foi confirmada posteriormente pelos órgãos responsáveis, que informaram a participação de diferentes equipes na operação. De acordo com informações divulgadas pela delegação do governo espanhol, foram mobilizados 220 agentes da Polícia Nacional e 180 integrantes da Polícia Municipal de Madri.
Além das forças policiais, bombeiros e serviços sociais também participaram da retirada. A presença desses órgãos integrou a operação realizada durante a madrugada e que continuou, ao menos parcialmente, na manhã seguinte, com o fechamento de uma parte da praça e a execução dos serviços de limpeza.
O acampamento fazia parte de uma série de mobilizações registradas na Espanha desde setembro em razão da crise habitacional. Os protestos ganharam força após o despejo de Maricarmen Abascal, de 87 anos. Ela deixou o imóvel depois que a propriedade foi comprada por um fundo de investimento.
A situação gerou pressão popular e levou a empresa proprietária a aceitar um novo acordo para permitir o retorno de Abascal ao apartamento. O entendimento, porém, foi firmado depois do despejo. Em 7 de outubro, duas semanas após deixar o imóvel, Maricarmen Abascal morreu no hospital.
O caso passou a ser associado às manifestações contra as dificuldades de acesso à moradia no país. O acampamento instalado na Portal do Sol permaneceu por mais de cinco semanas como parte desse movimento, até ser retirado pelas forças de segurança nesta terça-feira (3).







