A recomendação do governo do Reino Unido para que a população mantenha em casa água e alimentos suficientes para três dias foi distorcida nas redes sociais e apresentada como um suposto alerta para um “colapso global”. A orientação, divulgada no fim de outubro, prevê o armazenamento de nove litros de água engarrafada por pessoa, além de suprimentos básicos para situações emergenciais do cotidiano.
Publicações alarmistas passaram a afirmar que vários países estariam orientando seus cidadãos a estocar alimentos e água diante da possibilidade de uma emergência mundial. Em uma das mensagens compartilhadas, um perfil escreveu que “dessa vez o apagão é real e deve acontecer nos próximos dias”. Parte dos conteúdos também criticou o governo brasileiro e os meios de comunicação do país por, segundo essas postagens, não estarem orientando a população sobre uma suposta crise iminente.
A recomendação britânica, porém, integra a campanha “Be Ready”, expressão que pode ser traduzida como “esteja preparado”. A iniciativa foi lançada em 22 de outubro com o objetivo de incentivar as famílias a manterem em casa itens necessários para enfrentar situações adversas, sem indicar que um colapso mundial estivesse prestes a ocorrer.
Entre os cenários citados pelo governo estão crises climáticas, ataques cibernéticos e interrupções no fornecimento de energia, água, telefone e internet. A proposta também considera situações como tempestades severas, que podem afetar serviços essenciais e dificultar a atuação das equipes de emergência.
Segundo informações divulgadas pelo ministro da Segurança do Reino Unido, Dan Jarvis, a preparação doméstica pode ajudar a reduzir a pressão sobre os serviços de emergência durante períodos de crise. “Aqueles que puderem seguir essas recomendações devem segui-las”, afirmou o ministro, conforme os dados apresentados na orientação.
Além de água engarrafada e alimentos, a campanha recomenda que os moradores mantenham cobertores, kit de primeiros socorros, medicamentos essenciais, lanterna e dinheiro em espécie. A lista reúne itens destinados a situações em que o acesso a estabelecimentos comerciais, serviços digitais ou sistemas de pagamento possa ser prejudicado temporariamente.
As recomendações também estão alinhadas com instruções divulgadas por outros países, entre eles França, Alemanha e Suécia. O governo britânico esclareceu que a campanha faz parte de um plano governamental de três anos voltado à conscientização pública. O lançamento ocorreu antes do período de inverno no Reino Unido, estação marcada, segundo a iniciativa, por uma série de tempestades severas na região.
Em setembro deste ano, a secretária do Meio Ambiente do Reino Unido, Angela Eagle, também havia orientado a população a manter estoques de comida para enfrentar os possíveis efeitos do chamado Super El Niño. De acordo com a informação mencionada na matéria original, o fenômeno poderia provocar mais de 800 mil mortes relacionadas ao calor extremo até março de 2027.
A circulação das mensagens alarmistas ocorreu ainda em meio a uma falha de segurança que levou empresas e governos ao redor do mundo a retirarem milhares de sites do ar em outubro deste ano. Esse episódio foi associado, nas publicações, a uma suposta crise global, embora a recomendação britânica apresentada pelo governo esteja descrita como uma medida geral de preparação para emergências e interrupções temporárias de serviços.








