A Justiça de Minas Gerais recebeu, nesta quarta-feira (4/11), a denúncia do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) contra Shaylon Cristian Ferreira Moreira, de 26 anos, acusado de matar o policial penal Euler Oliveira Pereira Rocha durante uma tentativa de fuga do Hospital Luxemburgo, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. Com o recebimento da acusação, Shaylon passa a responder formalmente como réu na ação penal.
O MPMG havia apresentado a denúncia em 27 de outubro deste ano. O órgão atribui ao acusado os crimes de homicídio duplamente qualificado e falsa identidade. A partir da decisão judicial, Shaylon deverá ser citado oficialmente para apresentar resposta à acusação no prazo de 10 dias.
Acusação aponta ataque surpresa contra policial penal
De acordo com a denúncia, o homicídio teve duas qualificadoras. A primeira está relacionada ao uso de recurso que teria dificultado a defesa da vítima, em razão da surpresa durante o ataque. A segunda considera a condição funcional de Euler, que integrava o sistema prisional e, segundo o Ministério Público, estava trabalhando no momento do crime.
Euler era responsável pela vigilância e pela custódia de Shaylon, que estava internado no Hospital Luxemburgo desde 27 de julho de 2025. O assassinato ocorreu na madrugada de 3 de agosto do mesmo ano, por volta das 2h16, no quarto 517 da unidade de saúde.
Conforme a versão apresentada pelo MPMG, o acusado teria iniciado uma luta corporal com o policial penal dentro do quarto. Durante o confronto, Shaylon teria tomado a arma de fogo que pertencia a Euler e efetuado disparos contra o tórax do agente. Os ferimentos provocados pelos tiros levaram à morte do policial penal.
A denúncia sustenta que, depois dos disparos, o acusado utilizou elementos pertencentes à vítima para deixar o hospital. Shaylon teria retirado o uniforme, o colete balístico e uma bolsa de Euler. Dentro da bolsa, estavam armas, carregadores e munições.
Acusado teria usado uniforme da vítima para escapar
Ainda segundo o Ministério Público, Shaylon lavou as mãos, que estavam sujas de sangue, e saiu do hospital vestindo a farda do policial penal. Do lado de fora da unidade, ele teria afirmado falsamente ser integrante da segurança pública. A suposta apresentação como agente teria sido usada para facilitar a fuga.
Uma testemunha, acreditando que Shaylon era um policial penal, chegou a solicitar um veículo por aplicativo para que ele deixasse o local. Durante o trajeto, porém, a Polícia Militar determinou a parada do carro.
Shaylon foi preso em flagrante. Segundo as informações que constam no caso, no momento da prisão ele ainda usava o uniforme de Euler e estava com os equipamentos retirados do policial penal após o homicídio. A conduta de se apresentar como servidor público também fundamenta a acusação pelo crime de falsa identidade.
Atuação de outro servidor é investigada
Além da ação penal contra Shaylon, também é apurada a conduta de outro policial penal que teria deixado o posto de trabalho pouco antes da morte de Euler no hospital. Dias depois do crime, ainda em agosto de 2025, esse servidor compareceu à Corregedoria da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp).
A reportagem procurou a Sejusp para saber como está o andamento da apuração administrativa relacionada à conduta do servidor. A Polícia Civil também foi questionada sobre as investigações criminais. Até a publicação desta matéria, os órgãos não haviam enviado resposta. O conteúdo poderá ser atualizado caso novas informações sejam encaminhadas.







