A Prefeitura de Belo Horizonte informou que as bocas de lobo da rua Joaquim Correa de Aquino, no bairro Camargos, na região Oeste da capital, passaram por vistoria poucos dias antes da morte do motociclista João Lucas Ricardo de Jesus Rodrigues da Cruz, de 23 anos. O jovem foi levado pela enxurrada durante o temporal que atingiu a via na segunda-feira (2/11). A família afirma que o caso ocorreu enquanto ele trabalhava e questiona uma possível responsabilidade do município pelas condições da rua.
Em resposta às acusações, o Executivo municipal declarou que as estruturas de drenagem estavam em boas condições. A administração também informou que equipes da Subsecretaria de Zeladoria Urbana (Suzurb) retornaram ao bairro Camargos após a ocorrência para avaliar novamente as bocas de lobo e a rede de drenagem existente no local.
Segundo a PBH, a verificação feita depois da chuva não encontrou danos estruturais provocados pelo temporal registrado durante o feriado. A prefeitura sustenta, portanto, que não houve comprometimento das estruturas em razão do volume de água que atingiu a região na noite de segunda-feira.
A manifestação foi divulgada depois que parentes de João Lucas contestaram as circunstâncias da morte e atribuíram ao poder público parte da responsabilidade pelo que ocorreu. A família declarou que “sentiu que ele foi assassinado”, afirmando que, na avaliação dos familiares, o acidente poderia ter sido evitado. Antes de ser arrastado pela correnteza, o motociclista havia realizado uma entrega.
Temporal acumulou 44,2 milímetros na região Oeste
Informações da Defesa Civil de Belo Horizonte apontam que a regional Oeste acumulou 44,2 milímetros de chuva entre 18h45 de segunda-feira (2) e 1h de terça-feira (3). O volume registrado no período representa 18,7% da média climatológica esperada para todo o mês de novembro, calculada em 236 milímetros.
A chuva provocou uma enxurrada na rua Joaquim Correa de Aquino. Durante a ocorrência, João Lucas foi arrastado pela força da água e acabou preso em uma tampa de bueiro. Ele morreu depois de ser levado pela correnteza. O caso mobilizou os familiares e trouxe questionamentos sobre a segurança da via, o funcionamento da drenagem e a capacidade das estruturas para suportar chuvas intensas.
Embora tenha afirmado que as bocas de lobo estavam em condições adequadas e não haviam sido danificadas pelo temporal, a PBH reconheceu que há um projeto previsto para aumentar a capacidade de drenagem da região. A proposta é elaborada pela Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) e inclui intervenções na rua Professor Silveira Neto.
Projeto prevê mudanças na rede pluvial
O planejamento também contempla alterações na rede pluvial que passa pelo interior do quarteirão situado entre as ruas José Nunes Carvalho e Joaquim Correa de Aquino. A intenção é ampliar a capacidade de escoamento do sistema e adequar a solução de drenagem às condições do local.
De acordo com a prefeitura, o projeto ainda passa por revisão técnica. A atualização foi considerada necessária devido a mudanças significativas na ocupação da região, incluindo a implantação de empreendimentos de grande porte.
A PBH informou que a revisão permitirá atualizar o dimensionamento das estruturas previstas para a área. Conforme o município, a adequação pretende tornar o sistema mais eficiente e oferecer maior segurança diante das condições atuais do bairro, sem alterar a informação de que as bocas de lobo vistoriadas antes e depois da ocorrência não apresentaram comprometimento estrutural relacionado às chuvas do dia 2 de novembro.









