O Brasil permanece na liderança do ranking mundial de juros reais, com uma taxa de 9,49% ao ano. O resultado foi registrado após o Comitê de Política Monetária (Copom) decidir manter a Selic em 13,75% ao ano. Com a atualização, a vantagem brasileira em relação à Turquia, segunda colocada na lista, aumentou para 1,72 ponto percentual.
O levantamento foi divulgado nesta quarta-feira (4/11) pela MoneYou, em parceria com a Lev Intelligence. A pesquisa acompanha as condições monetárias de 40 economias e calcula o juro real a partir da diferença entre a taxa nominal de cada país e a inflação estimada para os 12 meses seguintes.
Esse indicador é utilizado para medir quanto os juros permanecem acima da inflação projetada. No caso brasileiro, o cálculo levou em conta a Selic de 13,75% ao ano e as expectativas de inflação para o período de um ano. A taxa real, portanto, expressa o nível de remuneração dos juros depois de descontada a variação esperada dos preços.
Brasil amplia distância em relação aos demais países
Na edição anterior do ranking, publicada em setembro, o juro real brasileiro era de 8,45% ao ano. Agora, a taxa passou para 9,49%. No mesmo intervalo, a diferença entre o Brasil e o segundo país colocado cresceu de 1,66 ponto percentual para 1,72 ponto percentual.
A composição das primeiras posições também mudou. A Turquia subiu para o segundo lugar, com juro real de 7,77% ao ano. A Argentina aparece na terceira colocação, com 6,80%, enquanto a Rússia, que ocupava a vice-liderança em setembro, caiu para o quarto posto, com taxa real de 6,57% ao ano.
O ranking considera as taxas de juros praticadas em cada economia e as respectivas projeções de inflação para os 12 meses posteriores. Por isso, alterações nas expectativas de preços ou nas decisões dos bancos centrais podem modificar a posição dos países e o nível de seus juros reais.
Copom interrompe ciclo de cortes da Selic
A manutenção da taxa básica em 13,75% ao ano interrompeu uma sequência de cinco reduções consecutivas promovidas pelo Banco Central em 2026. Desde março, o Copom vinha cortando a Selic em 0,25 ponto percentual a cada reunião. A decisão de manter o índice foi aprovada por unanimidade pelos integrantes do colegiado.
O encontro ocorreu em meio ao aumento das incertezas sobre a trajetória da economia brasileira. No comunicado divulgado depois da reunião, o Copom mencionou a elevação das expectativas de inflação, a desvalorização do real e uma desaceleração mais intensa da atividade econômica doméstica.
Segundo o Banco Central, esse conjunto de fatores exige uma condução serena e cautelosa da política monetária. O colegiado afirmou que continuará monitorando os indicadores econômicos para definir o grau de restrição necessário à convergência da inflação para a meta.
Na avaliação dos diretores, a combinação de uma Selic considerada “substancialmente contracionista”, expectativas inflacionárias mais elevadas, maior incerteza em relação ao cenário-base e perda mais acentuada de ritmo da economia doméstica torna o ambiente especialmente desafiador. Diante desse quadro, o Copom reforçou que as próximas decisões deverão ser tomadas com cautela.









