O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia pedir uma reunião bilateral com Donald Trump durante a cúpula do G20, marcada para os dias 14 e 15 de dezembro, em Miami, na Flórida. Ainda não existe uma solicitação oficial apresentada por Brasil ou Estados Unidos, mas a diplomacia brasileira estuda tomar a frente das tratativas caso o governo americano não indique interesse em promover o encontro.
A possibilidade de uma conversa direta entre os dois presidentes ganhou força após Trump declarar publicamente que pretende falar com Lula. A manifestação ocorreu quando o ex-presidente americano foi questionado sobre a vitória eleitoral do líder brasileiro. Na ocasião, Trump disse que entraria em contato com Lula. Até agora, porém, ele não reconheceu oficialmente nem parabenizou o presidente brasileiro pela vitória.
As informações foram apresentadas pela âncora Débora Bergamasco durante o programa CNN 360º, exibido nesta quarta-feira (4). Segundo a apuração, o Palácio do Planalto considera que ainda não é o momento adequado para formalizar um pedido de audiência. A avaliação predominante é que o Brasil deve aguardar uma sinalização mais objetiva de Washington antes de avançar com a iniciativa diplomática.
Se essa manifestação não ocorrer, a tendência avaliada pelo governo brasileiro é que o país solicite oficialmente a reunião. A realização do encontro poderia ser facilitada pela presença simultânea de Lula, Trump e de outras autoridades internacionais na programação do G20. Nesse cenário, a cúpula funcionaria como uma oportunidade para uma primeira conversa presencial entre os dois líderes dentro do novo contexto político considerado por Brasília.
A eventual aproximação também é analisada a partir da correlação política entre Brasil e Estados Unidos. Conforme a avaliação apresentada por Bergamasco, Lula teria ampliado sua força após a reeleição e a renovação de seu capital político. Trump, por outro lado, estaria em uma posição mais fragilizada depois da derrota dos republicanos no Congresso americano.
“O governo Lula está empoderado, foi reeleito, renovou seu capital político, e há o enfraquecimento de Donald Trump, com essa derrota dos republicanos no Congresso americano”, afirmou a jornalista ao contextualizar a possível movimentação do governo brasileiro.
Governo brasileiro analisa autorização para embaixador indicado pelos EUA
As conversas sobre uma possível reunião entre Lula e Trump ocorrem paralelamente à análise, pelo Brasil, do agrément de Daniel Perez. O procedimento corresponde à autorização formal dada pelo país que receberá um representante diplomático para que o indicado possa assumir o cargo de embaixador.
O governo brasileiro considera conceder o aval ainda em 2024. A medida poderia ser interpretada como um gesto destinado a melhorar os canais de comunicação e tornar mais regular a relação diplomática com os Estados Unidos.
A embaixada americana no Brasil está sem embaixador desde o começo do governo Trump. Após a indicação de Daniel Perez para ocupar a função, Brasília optou por deixar a autorização pendente. A nomeação foi avaliada pelo governo brasileiro como atabalhoada, fator que contribuiu para o atraso na concessão do agrément.
Com isso, tanto a possível audiência entre os presidentes quanto a decisão sobre o representante diplomático americano permanecem no radar da política externa brasileira. Não há confirmação oficial sobre a reunião nem sobre um pedido formal, e o governo Lula acompanha os próximos passos do lado americano antes de decidir se apresentará a solicitação durante a cúpula do G20.








